Fibrilação Atrial: Controle de Frequência Cardíaca

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022

Enunciado

Com o intuito de promover diminuição da frequência cardíaca, em pacientes portadores de fibrilação atrial crônica NÃO se utiliza:

Alternativas

  1. A) amiodarona.
  2. B) anlodipina.
  3. C) verapamil.
  4. D) digoxina.
  5. E) carvedilol.

Pérola Clínica

Anlodipina (bloqueador de canal de cálcio diidropiridínico) NÃO ↓ FC na FA, ao contrário de verapamil/diltiazem, betabloqueadores e digoxina.

Resumo-Chave

A anlodipina é um bloqueador de canal de cálcio diidropiridínico, que atua predominantemente na vasodilatação periférica e tem pouco ou nenhum efeito na frequência cardíaca. Para controle de frequência na fibrilação atrial, são utilizados fármacos que agem no nó atrioventricular, como betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos (verapamil, diltiazem) e digoxina.

Contexto Educacional

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, caracterizada por atividade elétrica atrial caótica e irregular, resultando em contrações atriais ineficazes e uma resposta ventricular rápida e irregular. O manejo da FA geralmente envolve duas estratégias principais: controle de ritmo (tentar restaurar e manter o ritmo sinusal) e controle de frequência (reduzir a frequência ventricular para aliviar sintomas e melhorar a função cardíaca). Para o controle de frequência na FA, os medicamentos de primeira linha incluem betabloqueadores (como carvedilol, metoprolol) e bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos (como verapamil e diltiazem). A digoxina também é uma opção, especialmente em pacientes com insuficiência cardíaca e FA com resposta ventricular rápida, ou em repouso. Esses fármacos atuam principalmente no nó atrioventricular, diminuindo a condução dos impulsos atriais para os ventrículos e, consequentemente, reduzindo a frequência cardíaca. A anlodipina, por outro lado, é um bloqueador de canal de cálcio diidropiridínico. Sua principal ação é a vasodilatação periférica, sendo amplamente utilizada no tratamento da hipertensão arterial e angina. No entanto, ela tem pouca ou nenhuma ação direta sobre o nó atrioventricular e, portanto, não é eficaz para o controle da frequência cardíaca na fibrilação atrial. É crucial que os residentes compreendam a distinção entre as classes de bloqueadores de canal de cálcio e suas indicações específicas para evitar erros terapêuticos.

Perguntas Frequentes

Quais classes de medicamentos são eficazes para o controle de frequência na fibrilação atrial?

As principais classes são os betabloqueadores (ex: carvedilol, metoprolol), os bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos (ex: verapamil, diltiazem) e a digoxina. Esses fármacos atuam modulando a condução no nó atrioventricular.

Qual o mecanismo de ação dos bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos no controle da FA?

Verapamil e diltiazem atuam bloqueando os canais de cálcio tipo L no nó atrioventricular, o que retarda a condução e prolonga o período refratário, diminuindo assim a frequência de impulsos que chegam aos ventrículos e controlando a resposta ventricular.

Em que situações a amiodarona é utilizada na fibrilação atrial?

A amiodarona é um antiarrítmico de Classe III que pode ser usado tanto para controle de frequência quanto para controle de ritmo (manutenção do ritmo sinusal), especialmente em pacientes com disfunção ventricular ou insuficiência cardíaca, devido ao seu perfil de segurança hemodinâmica.

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