UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Homem, 62a, comparece à Unidade de Emergência com queixa de palpitação torácica durante a última semana. Nega dor torácica, falta de ar, náusea ou vômito. Conta episódios semelhantes há um mês que melhoraram espontaneamente. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial essencial há 20 anos. Exame físico: PA= 120x80 mmHg; FC= 139 bpm; FR= 17 irpm e saturação de oxigênio (ar ambiente)= 97%. O ECG: A CONDUTA É:
FA com FC estável e sem instabilidade hemodinâmica → controle de frequência (betabloqueador) + anticoagulação (CHA2DS2-VASc).
O paciente apresenta fibrilação atrial (palpitação, FC irregular e elevada) sem sinais de instabilidade hemodinâmica (PA normal, sem dor torácica, dispneia ou alteração de consciência). Nesses casos, a conduta inicial é o controle da frequência cardíaca e a avaliação da necessidade de anticoagulação, que é indicada devido à idade e hipertensão (CHA2DS2-VASc ≥ 2).
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia cardíaca sustentada mais comum, com prevalência crescente com a idade e a presença de comorbidades como hipertensão arterial e diabetes. É uma condição de grande importância clínica devido ao risco aumentado de acidente vascular cerebral (AVC) tromboembólico e insuficiência cardíaca. O manejo da FA é um tópico fundamental para residentes, abordando tanto o controle dos sintomas quanto a prevenção de complicações graves. O diagnóstico da FA é feito pelo eletrocardiograma (ECG), que mostra ausência de ondas P e ritmo ventricular irregularmente irregular. A abordagem inicial depende da estabilidade hemodinâmica do paciente. Em pacientes estáveis, como o do caso, o foco é no controle da frequência cardíaca e na avaliação do risco tromboembólico. Betabloqueadores (como metoprolol) e bloqueadores dos canais de cálcio não diidropiridínicos (diltiazem, verapamil) são as principais opções para controle de frequência. A decisão de anticoagular é crucial e baseada no escore CHA2DS2-VASc, que estratifica o risco de AVC. Pacientes com hipertensão e idade avançada, como o descrito, geralmente têm indicação clara de anticoagulação. A cardioversão elétrica sincronizada é reservada para pacientes instáveis ou para controle de ritmo em casos selecionados, após adequada anticoagulação.
Os critérios de instabilidade incluem hipotensão arterial, sinais de choque, isquemia miocárdica aguda, insuficiência cardíaca aguda e pré-síncope/síncope. Nesses casos, a cardioversão elétrica sincronizada é a conduta de escolha.
A anticoagulação é indicada com base no escore CHA2DS2-VASc. Pacientes com escore ≥ 2 (homens) ou ≥ 3 (mulheres) têm indicação de anticoagulação para prevenção de eventos tromboembólicos.
Controle de frequência visa manter a frequência ventricular em níveis aceitáveis (geralmente <110 bpm em repouso) sem necessariamente reverter para ritmo sinusal. Controle de ritmo busca restaurar e manter o ritmo sinusal. A escolha depende de fatores como sintomas, comorbidades e preferência do paciente.
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