Fibrilação Atrial Instável: Conduta de Emergência Essencial

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 65 anos, hipertenso e com histórico de infarto agudo do miocárdio há 3 anos, é admitido no pronto-socorro com palpitações, tontura e sudorese há cerca de 2 horas. Ao exame físico, encontra-se com pressão arterial de 90/60 mmHg, frequência cardíaca de 160 bpm, pulsos finos e irregulares, e frequência respiratória de 20 irpm. A ausculta cardíaca revela ritmo irregular sem sopros. Um eletrocardiograma (ECG) é realizado e revela uma taquicardia com QRS estreito e ondas P não visualizadas claramente, variabilidade na amplitude dos intervalos RR, sem onda F típica em “dente de serra”.Diante desse quadro, qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Administração de adenosina intravenosa.
  2. B) Cardioversão elétrica sincronizada.
  3. C) Administração de amiodarona intravenosa.
  4. D) Administração de verapamil intravenoso.

Pérola Clínica

FA com instabilidade hemodinâmica (hipotensão, tontura) → Cardioversão elétrica sincronizada imediata.

Resumo-Chave

Em pacientes com fibrilação atrial e sinais de instabilidade hemodinâmica, como hipotensão e tontura, a cardioversão elétrica sincronizada é a conduta de escolha para restaurar rapidamente o ritmo sinusal e estabilizar o paciente.

Contexto Educacional

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, caracterizada por atividade elétrica atrial caótica e irregularidade da resposta ventricular. Em pacientes com comorbidades como hipertensão e histórico de infarto agudo do miocárdio, a FA pode precipitar descompensação hemodinâmica, tornando-se uma emergência médica. A identificação precoce da instabilidade é crucial para o manejo adequado. Quando a FA cursa com instabilidade hemodinâmica, manifestada por hipotensão, tontura, dor torácica isquêmica ou sinais de choque, a prioridade é a reversão rápida do ritmo. O eletrocardiograma (ECG) revela uma taquicardia de QRS estreito, irregular, sem ondas P discerníveis ou ondas F típicas em 'dente de serra', confirmando a FA. A instabilidade hemodinâmica exige uma intervenção imediata para evitar danos orgânicos e mortalidade. A conduta mais adequada para a FA instável é a cardioversão elétrica sincronizada. Este procedimento aplica um choque elétrico sincronizado com o complexo QRS para interromper a atividade elétrica caótica e restaurar o ritmo sinusal. Drogas como amiodarona ou verapamil são opções para FA estável ou para controle da frequência, mas são inadequadas em situações de emergência com instabilidade. A adenosina é ineficaz e contraindicada na FA. Residentes devem dominar o reconhecimento da instabilidade e a técnica da cardioversão elétrica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de instabilidade hemodinâmica em taquiarritmias?

Os critérios incluem hipotensão (PA sistólica < 90 mmHg), alteração aguda do estado mental, sinais de choque (pulsos finos, sudorese), dor torácica isquêmica aguda e insuficiência cardíaca aguda. A presença de qualquer um desses indica a necessidade de intervenção imediata.

Por que a cardioversão elétrica é preferível à farmacológica na fibrilação atrial instável?

A cardioversão elétrica sincronizada é mais rápida e eficaz na restauração do ritmo sinusal em pacientes hemodinamicamente instáveis. A farmacoterapia pode demorar para fazer efeito e pode não ser suficiente para reverter a instabilidade, aumentando o risco de complicações graves.

Quando a adenosina é contraindicada em taquicardias?

A adenosina é indicada para taquicardias de QRS estreito regulares (como a taquicardia supraventricular paroxística) e para diagnóstico de taquicardias de QRS estreito. É contraindicada em taquicardias irregulares como a fibrilação atrial, pois pode aumentar a resposta ventricular em vias acessórias (síndrome de Wolff-Parkinson-White) ou ser ineficaz.

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