Fibrilação Atrial: Avaliação de Risco e Anticoagulação

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 73 anos, tem diagnóstico de fibrilação atrial paroxística. Antecedentes pessoais: hipertensão controlada com medicação. Nega diabetes, outras doenças ou internações prévias. Radiograma de tórax: área cardíaca normal, sem calcificações vasculares. Em relação à abordagem terapêutica da fibrilação atrial nesta paciente, é correto:

Alternativas

  1. A) O escore de CHADS-VASC é de 3, sem indicação de terapia antitrombótica, pela ausência de evidência de eventos prévios.
  2. B) O escore de CHADS-VASC é de 2, sendo que um ponto é pelo gênero, sem indicação de terapia antitrombótica.
  3. C) O escore de CHADS-VASC é de 3, com indicação de terapia antitrombótica.
  4. D) O escore de CHADS-VASC não se aplica nessa situação, por se tratar de arritmia paroxística

Pérola Clínica

CHADS-VASC: Mulher 73a (1p), HAS (1p), Sexo feminino (1p) = 3 pontos → anticoagulação.

Resumo-Chave

O escore CHADS-VASC avalia o risco de AVC em pacientes com fibrilação atrial, independentemente de ser paroxística, persistente ou permanente. Para esta paciente (mulher, 73 anos, HAS), o escore é de 3 pontos (Hipertensão = 1 ponto; Idade 65-74 anos = 1 ponto; Sexo feminino = 1 ponto). Com 3 pontos, há indicação de terapia antitrombótica.

Contexto Educacional

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, associada a um risco significativamente aumentado de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. A FA paroxística, caracterizada por episódios que se resolvem espontaneamente em até 7 dias, possui o mesmo risco tromboembólico que as formas persistente ou permanente, tornando a avaliação do risco de AVC e a indicação de anticoagulação igualmente cruciais. Para estratificar o risco de AVC, utiliza-se o escore CHADS-VASC. Este escore atribui pontos a fatores de risco como insuficiência cardíaca congestiva, hipertensão, idade (1 ponto para 65-74 anos, 2 pontos para ≥ 75 anos), diabetes mellitus, AVC/AIT/tromboembolismo prévio (2 pontos), doença vascular e sexo feminino. A pontuação total guia a decisão terapêutica: 0 pontos (homens) ou 1 ponto (mulheres) geralmente não requer anticoagulação; 1 ponto (homens) ou 2 pontos (mulheres) pode-se considerar anticoagulação; e ≥ 2 pontos (homens) ou ≥ 3 pontos (mulheres) indica fortemente a anticoagulação oral. Nesta paciente, com 73 anos (1 ponto), hipertensão (1 ponto) e sexo feminino (1 ponto), o escore CHADS-VASC é de 3 pontos. Com essa pontuação, a terapia antitrombótica com anticoagulantes orais (antagonistas da vitamina K ou anticoagulantes orais diretos) é fortemente indicada para reduzir o risco de AVC, superando os potenciais riscos de sangramento.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do escore CHADS-VASC na fibrilação atrial?

O escore CHADS-VASC é uma ferramenta clínica validada para estratificar o risco de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico em pacientes com fibrilação atrial não valvar, orientando a decisão sobre a necessidade de terapia antitrombótica.

Quais são os componentes do escore CHADS-VASC e suas respectivas pontuações?

Os componentes são: Insuficiência Cardíaca Congestiva (1 ponto), Hipertensão (1 ponto), Idade ≥ 75 anos (2 pontos), Diabetes Mellitus (1 ponto), AVC/AIT/Tromboembolismo prévio (2 pontos), Doença Vascular (1 ponto), Idade 65-74 anos (1 ponto) e Sexo feminino (1 ponto).

A fibrilação atrial paroxística tem o mesmo risco de AVC que a FA persistente ou permanente?

Sim, estudos demonstram que a fibrilação atrial paroxística confere um risco de AVC isquêmico semelhante ao das formas persistente ou permanente. Portanto, a indicação de anticoagulação é baseada no escore de risco, independentemente do padrão da arritmia.

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