Fibrilação Atrial: Conduta Inicial com FE Preservada

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 68 anos, hipertenso e com histórlco de insuficiência cardiaca controlada, chega à emergência com palpitaçôes, falta de ar e sensaçãode cansaço. Ao exame apresenta frequência cardíaca de 130 bpm, irregular, e pressão arterial de 140/90 mmHg. O eletrocardiograma (ECG) mostra ausência de ondas P e presença de ritmo irregular, compativel com fibrilação atrial (FA). O ecocardiograma revela fração de ejeçâo preservada (60%).Considerando o diagnóstico de fibrilação atrial, qual a conduta inicial mais apropriada para este paciente?

Alternativas

  1. A) Realizar cardioversão elétrica de emergência, independentemente da duração da fibrilação atrial.
  2. B) Administrar um beta-bloqueador para controle da frequência cardíaca, considerando a função ventricular preservada.
  3. C) Iniciar imediatamente anticoagulação oral, sem necessidade de avaliar o risco tromboembóllco.
  4. D) Realizar controle do ritmo com antiarritmicos orais, como amiodarona, visando reverter a fibrilação atrial.
  5. E) Prescrever digitalis para controle da frequência, uma vez que o paciente apresenta insuficiência cardíaca.

Pérola Clínica

FA com FE preservada e FC alta → controle de frequência com betabloqueador é a conduta inicial.

Resumo-Chave

Em pacientes com fibrilação atrial (FA) de início recente ou não determinado, com frequência cardíaca elevada e fração de ejeção preservada, a conduta inicial mais apropriada é o controle da frequência cardíaca. Betabloqueadores são a primeira linha para este controle, visando aliviar os sintomas e prevenir a taquicardiomiopatia.

Contexto Educacional

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, caracterizada por atividade elétrica atrial caótica e irregular, resultando em contração atrial ineficaz e ritmo ventricular irregular e frequentemente rápido. Pacientes idosos, hipertensos e com insuficiência cardíaca têm maior risco de desenvolver FA. A importância clínica reside no risco de eventos tromboembólicos (AVC) e na taquicardiomiopatia se a frequência ventricular for persistentemente elevada. O diagnóstico da FA é feito pelo eletrocardiograma (ECG), que mostra ausência de ondas P e ritmo QRS irregularmente irregular. A fisiopatologia envolve múltiplos focos de reentrada ou atividade ectópica no átrio. No caso apresentado, o paciente está hemodinamicamente estável (PA 140/90 mmHg) e com fração de ejeção preservada. A prioridade inicial em pacientes estáveis com FA de alta resposta ventricular é o controle da frequência cardíaca para aliviar os sintomas e evitar a taquicardiomiopatia. A conduta inicial para FA com alta resposta ventricular em pacientes estáveis e com FE preservada é o controle da frequência cardíaca, sendo os betabloqueadores (como metoprolol, bisoprolol, carvedilol) ou bloqueadores dos canais de cálcio não diidropiridínicos (diltiazem, verapamil) as opções de primeira linha. A anticoagulação deve ser avaliada com base no escore CHA2DS2-VASc, mas não é a conduta mais imediata em uma emergência para controle de sintomas. A cardioversão de emergência é reservada para pacientes instáveis.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre controle de frequência e controle de ritmo na FA?

O controle de frequência visa manter a frequência cardíaca dentro de limites aceitáveis (geralmente <110 bpm) enquanto o paciente permanece em FA. O controle de ritmo busca restaurar e manter o ritmo sinusal normal, seja por cardioversão elétrica ou farmacológica.

Quando a cardioversão elétrica de emergência é indicada na FA?

A cardioversão elétrica de emergência é indicada em pacientes com fibrilação atrial que apresentam instabilidade hemodinâmica, como hipotensão, choque, isquemia miocárdica aguda ou edema pulmonar agudo, independentemente da duração da FA.

Por que a anticoagulação é importante na fibrilação atrial?

A anticoagulação é crucial na FA para prevenir eventos tromboembólicos, principalmente o acidente vascular cerebral (AVC), que é uma complicação grave da FA devido à formação de trombos no átrio esquerdo.

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