Fibrilação Atrial Aguda: Diagnóstico e Manejo Inicial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 30 anos, sem doenças prévias, dá entrada em Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Relata que há 2 horas, após ingestão de bebida alcoólica e energéticos, teve palpitações. Ao exame, está consciente, orientada e com hálito etílico. Apresenta-se com pressão arterial de 100 x 70 mmHg e frequência cardíaca de 150 bpm, frequência respiratória de 14 irpm e saturação de O₂ de 94% ao ar ambiente. À ausculta cardíaca, apresenta-se taquicárdica, com ritmo irregular. Exames dos aparelhos respiratório e neurológico inalterados. Na unidade de emergência, foi realizado o eletrocardiograma que apresenta o ritmo na derivação D2. Quais são, respectivamente, o diagnóstico e o tratamento de primeira escolha para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Fibrilação atrial de alta resposta ventricular; iniciar betabloqueador endovenoso.
  2. B) Taquicardia ventricular sustentada; realizar cardioversão elétrica imediata.
  3. C) Taquicardia paroxística supraventricular; iniciar adenosina endovenosa.
  4. D) Taquicardia sinusal; manter apenas observação clínica.

Pérola Clínica

FA de alta resposta + estável → Controle de FC (betabloqueador/bloqueador de canal de cálcio). FA + instável → Cardioversão elétrica imediata.

Resumo-Chave

A ingestão de álcool e energéticos pode precipitar fibrilação atrial, conhecida como 'síndrome do coração de férias'. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, o controle da frequência cardíaca com betabloqueadores ou bloqueadores de canal de cálcio é a primeira abordagem, antes de considerar cardioversão elétrica.

Contexto Educacional

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, caracterizada por atividade elétrica atrial caótica e irregularidade do ritmo ventricular. A 'síndrome do coração de férias' refere-se à ocorrência de FA em indivíduos sem doença cardíaca estrutural aparente, precipitada por consumo excessivo de álcool, cafeína ou estresse. É um cenário comum em prontos-socorros e exige um manejo rápido e preciso do residente. A fisiopatologia da FA envolve a ativação de múltiplos focos ectópicos atriais e reentrada, levando a uma condução atrioventricular irregular e frequentemente rápida. O diagnóstico é feito pelo eletrocardiograma, que mostra ausência de ondas P organizadas e intervalos R-R irregulares. A paciente apresenta-se com palpitações e taquicardia irregular, com pressão arterial limítrofe, mas sem outros sinais de instabilidade hemodinâmica franca, como choque ou isquemia, o que a classifica como hemodinamicamente estável para o manejo inicial. O tratamento inicial da FA de alta resposta ventricular em pacientes hemodinamicamente estáveis foca no controle da frequência cardíaca. Betabloqueadores (como metoprolol ou esmolol IV) ou bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos (como diltiazem ou verapamil IV) são as opções de primeira linha. A cardioversão elétrica é reservada para pacientes instáveis. A avaliação de risco tromboembólico (escore CHA2DS2-VASc) e a consideração de anticoagulação devem ser realizadas após o controle agudo da frequência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais gatilhos para a fibrilação atrial aguda?

Gatilhos comuns para fibrilação atrial aguda incluem consumo excessivo de álcool ('síndrome do coração de férias'), estresse, cafeína, desidratação, distúrbios eletrolíticos, hipertireoidismo e doenças cardíacas subjacentes.

Quando a cardioversão elétrica é indicada na fibrilação atrial?

A cardioversão elétrica imediata é indicada na fibrilação atrial quando há instabilidade hemodinâmica, como hipotensão, choque, isquemia miocárdica aguda ou insuficiência cardíaca aguda, ou em casos de pré-excitação.

Qual a diferença entre controle de frequência e controle de ritmo na FA?

Controle de frequência visa reduzir a frequência ventricular (com betabloqueadores ou bloqueadores de canal de cálcio), enquanto controle de ritmo busca restaurar e manter o ritmo sinusal (com antiarrítmicos ou cardioversão elétrica).

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