FA e IC: Manejo da Fibrilação Atrial em Disfunção VE

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2021

Enunciado

Você está trabalhando na UBS quando atende um paciente do sexo masculino de 68 anos de idade, tabagista, hipertenso, obeso, diabético, antecedente de cirurgia de revascularização miocárdica com troca valvar mitral por prótese biológica há 2 anos, com queixa de palpitação taquicárdica e cansaço aos esforços habituais de início há 5 meses. Medicamentos em uso: hidroclorotiazida 25mg 1xd, enalapril 20mg 2xd, metformina 500mg 2xd. Ao exame: PA 132x84 mmHg, FC 119 bpm, bulhas arrítmicas e normofonéticas.Exames complementares: ECG (em anexo); Ecocardiograma com fração de ejeção do ventrículo esquerdo 35%, aumento moderado de átrio esquerdo, alteração de relaxamento de VE, prótese normofuncionante.Dentre as combinações de medicações abaixo, assinala MELHOR opção de medicamentos para serem acrescentados à receita do paciente no dia da consulta.

Alternativas

  1. A) Amiodarona e varfarina.
  2. B) Propafenona e apixabana.
  3. C) Diltiazem e varfarina.
  4. D) Sotalol e ácido acetilsalicílico.
  5. E) Metoprolol e rivaroxabana.

Pérola Clínica

FA em paciente com disfunção VE e prótese biológica: controle de frequência com betabloqueador (Metoprolol) e anticoagulação oral direta (Rivaroxabana).

Resumo-Chave

O paciente apresenta fibrilação atrial (FA) com disfunção ventricular esquerda (FEVE 35%) e múltiplos fatores de risco para AVC (CHA2DS2-VASc alto). A conduta ideal envolve controle de frequência cardíaca com betabloqueador (Metoprolol) e anticoagulação oral para prevenção de tromboembolismo, preferencialmente com um anticoagulante oral direto (DOAC) como a rivaroxabana, dada a prótese biológica.

Contexto Educacional

A Fibrilação Atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, com prevalência crescente em idosos e em pacientes com comorbidades cardiovasculares. Sua importância reside no risco aumentado de eventos tromboembólicos, principalmente acidente vascular cerebral (AVC), e na possibilidade de agravar ou precipitar insuficiência cardíaca. O manejo da FA em pacientes com disfunção ventricular esquerda, como o caso apresentado, exige uma abordagem cuidadosa que combine controle da frequência cardíaca e anticoagulação. O paciente em questão apresenta múltiplos fatores de risco para AVC (idade, hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca, doença vascular prévia - revascularização miocárdica), resultando em um escore CHA2DS2-VASc elevado, indicando a necessidade de anticoagulação oral. Além disso, a fração de ejeção reduzida (35%) e a taquicardia arrítmica sugerem que o controle da frequência cardíaca é fundamental para otimizar a função ventricular e aliviar os sintomas de cansaço. A escolha da medicação deve considerar tanto o controle da frequência quanto a anticoagulação. Betabloqueadores, como o metoprolol, são a primeira linha para controle de frequência em pacientes com FA e disfunção de VE, pois melhoram a sobrevida em insuficiência cardíaca. Para anticoagulação, em pacientes com prótese valvar biológica, os anticoagulantes orais diretos (DOACs), como a rivaroxabana, são preferíveis à varfarina, que é reservada para próteses mecânicas ou estenose mitral moderada a grave. A combinação de metoprolol e rivaroxabana, portanto, representa a melhor opção para este paciente, abordando tanto o controle da arritmia quanto a prevenção de eventos tromboembólicos.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do controle de frequência cardíaca em pacientes com FA e disfunção ventricular esquerda?

O controle de frequência cardíaca é crucial para otimizar o enchimento ventricular e melhorar a função cardíaca em pacientes com FA e disfunção de VE. Uma frequência cardíaca elevada pode agravar a insuficiência cardíaca, aumentando o consumo de oxigênio miocárdico e reduzindo o débito cardíaco.

Por que a rivaroxabana é uma boa opção para anticoagulação neste paciente?

A rivaroxabana é um anticoagulante oral direto (DOAC) que oferece eficácia e segurança comparáveis ou superiores à varfarina na prevenção de AVC em FA não valvar. Em pacientes com prótese biológica, os DOACs são a escolha preferencial, pois a varfarina é reservada para próteses mecânicas ou estenose mitral moderada a grave.

Quais são os principais fatores de risco para AVC em pacientes com Fibrilação Atrial?

Os principais fatores de risco para AVC em FA são avaliados pelo escore CHA2DS2-VASc, que inclui Insuficiência Cardíaca, Hipertensão, Idade ≥ 75 anos (2 pontos), Diabetes Mellitus, AVC/AIT/Tromboembolismo prévio (2 pontos), Doença Vascular, Idade 65-74 anos e Sexo Feminino.

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