UNIRG Revalida - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022
Paciente do sexo feminino, 64 anos, comparece à consulta com o médico da estratégia de saúde da família relatando palpitações esporádicas, sem dor torácica, tontura, síncope ou dispneia associadas. Relata ser previamente hipertensa e diabética com bons controles das doenças de base. Realizado eletrocardiograma, não sendo visualizada onda P, intervalo RR irregular e frequência cardíaca de 89 bpm.A respeito do quadro, assinale a afirmativa correta.
FA (sem onda P, RR irregular) em mulher >65a com HAS e DM → CHA2DS2Vasc ≥ 2 → anticoagulação.
O ECG da paciente (ausência de onda P, RR irregular) é diagnóstico de Fibrilação Atrial (FA). Para avaliar o risco de AVC e a necessidade de anticoagulação, utiliza-se o escore CHA2DS2Vasc. A paciente, sendo mulher (1 ponto), >65 anos (2 pontos), hipertensa (1 ponto) e diabética (1 ponto), totaliza 3 pontos, indicando a necessidade de anticoagulação.
A Fibrilação Atrial (FA) é a arritmia cardíaca sustentada mais comum, caracterizada por atividade elétrica atrial caótica e desorganizada, resultando em contração atrial ineficaz. Clinicamente, pode manifestar-se por palpitações, dispneia, fadiga ou ser assintomática, sendo frequentemente descoberta em exames de rotina. O diagnóstico é confirmado por eletrocardiograma (ECG), que revela ausência de ondas P, atividade atrial irregular e um ritmo ventricular irregularmente irregular. A principal complicação da FA é o risco aumentado de acidente vascular cerebral (AVC) tromboembólico, devido à formação de trombos no átrio esquerdo estático. Para estratificar esse risco e guiar a decisão de anticoagulação, utiliza-se o escore CHA2DS2Vasc. Este escore atribui pontos para insuficiência cardíaca (1), hipertensão (1), idade ≥ 75 anos (2), diabetes mellitus (1), AVC/AIT/tromboembolismo prévio (2), doença vascular (1), idade 65-74 anos (1) e sexo feminino (1). Uma pontuação de 2 ou mais (em homens) ou 3 ou mais (em mulheres) geralmente indica a necessidade de anticoagulação. A anticoagulação oral é a pedra angular na prevenção de AVC em pacientes com FA de risco moderado a alto. As opções incluem a varfarina (um antagonista da vitamina K) e os novos anticoagulantes orais (NOACs ou DOACs), que oferecem eficácia semelhante ou superior à varfarina e menor risco de sangramento intracraniano, além de não exigirem monitoramento laboratorial frequente. A estenose mitral moderada a grave ou prótese valvar mecânica são contraindicações para NOACs, exigindo o uso de varfarina. O escore HAS-BLED é utilizado para avaliar o risco de sangramento, mas não contraindica a anticoagulação se o risco tromboembólico for alto.
Os critérios eletrocardiográficos para Fibrilação Atrial incluem a ausência de ondas P discerníveis, a presença de ondas f (fibrilatórias) irregulares e de baixa amplitude, e um intervalo RR irregularmente irregular.
O escore CHA2DS2Vasc é utilizado para estratificar o risco de acidente vascular cerebral (AVC) em pacientes com fibrilação atrial não valvar. Uma pontuação de 2 ou mais em homens, ou 3 ou mais em mulheres, geralmente indica a necessidade de anticoagulação oral para prevenir eventos tromboembólicos.
As opções de anticoagulação incluem antagonistas da vitamina K (como a varfarina) e os novos anticoagulantes orais (NOACs ou DOACs), como dabigatrana, rivaroxabana, apixabana e edoxabana. A escolha depende de fatores como risco de sangramento, comorbidades e preferências do paciente.
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