SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Uma paciente de 72 anos de idade, com histórico de hipertensão e fibrilação atrial crônica, procurou atendimento médico por apresentar fadiga e palpitações há um mês. O exame físico mostrou ritmo irregular, pressão arterial de 130x80 mmHg e ausculta cardíaca sem sopros. O ECG revelou ondas F irregulares e intervalos RR desiguais, sem complexos QRS anormais. Com base nesse caso clínico, assinale a alternativa que contém a interpretação adequada do exame eletrocardiográfico realizado:
Ausência de onda P + Ritmo irregularmente irregular + Ondas f = Fibrilação Atrial.
A Fibrilação Atrial (FA) é caracterizada pela desorganização da atividade elétrica atrial, resultando em ausência de ondas P e intervalos RR variáveis, refletindo a condução aleatória pelo nó AV.
A Fibrilação Atrial é a arritmia sustentada mais comum na prática clínica, especialmente em idosos. Sua importância reside não apenas nos sintomas de palpitações e fadiga, mas principalmente no risco elevado de fenômenos tromboembólicos, como o AVC isquêmico. O diagnóstico eletrocardiográfico é o padrão-ouro e deve ser realizado em qualquer paciente com pulso irregular. O manejo envolve o controle da frequência ou do ritmo, além da avaliação rigorosa da necessidade de anticoagulação oral baseada em escores de risco como o CHA2DS2-VASc.
Os três achados fundamentais são: 1) Ausência de ondas P organizadas, que são substituídas por oscilações rápidas e irregulares da linha de base chamadas ondas f (fibrilação); 2) Intervalos RR 'irregularmente irregulares', pois o nó atrioventricular filtra os estímulos atriais de forma aleatória; 3) Complexos QRS geralmente estreitos, a menos que haja bloqueio de ramo pré-existente ou condução aberrante (Fenômeno de Ashman).
No Flutter Atrial, a atividade atrial é organizada e macroreentrante, gerando ondas F características em 'dente de serra' (especialmente em DII, DIII e aVF) com frequência atrial geralmente entre 250-350 bpm e ritmo ventricular frequentemente regular (ex: condução 2:1 ou 4:1). Na Fibrilação Atrial, a atividade é totalmente desorganizada, as ondas f são caóticas e o ritmo ventricular é sempre irregular (na ausência de BAV total).
A resposta ventricular (frequência cardíaca) na FA depende da capacidade de condução do nó atrioventricular. Uma resposta ventricular muito alta (taquifibrilação) pode causar instabilidade hemodinâmica, edema agudo de pulmão ou isquemia miocárdica. Já uma resposta ventricular excessivamente lenta em um paciente sem medicação cronotrópica negativa pode sugerir doença do sistema de condução subjacente, como um bloqueio atrioventricular associado.
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