Fibrilação Atrial: Avaliação de Risco e Anticoagulação

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 76 anos, sem nenhuma comorbidade, vem ao consultório para avaliação de rotina, sem queixas clínicas, com eletrocardiograma evidenciando Fibrilação Atrial. Ao exame, possui ritmo cardíaco irregular, sem sopros, FC 75bpm, PA 130x80mmHg. Traz ainda exames laboratoriais evidenciando creatinina = 1,2mg/dL, glicemia de jejum = 95mg/dL. Qual a conduta adequada nesse caso?

Alternativas

  1. A) Não anticoagular paciente, uma vez que é idosa e possui maior chance de sangramento.
  2. B) Solicitar holter, ecocardiograma e definir conduta apenas depois de 30 dias.
  3. C) Não anticoagular a paciente, pois possui muito baixa probabilidade de ter fenômenos tromboembólicos.
  4. D) Iniciar Marevan 2,5mg/dia, por CHADS2-VASc igual a 1.
  5. E) Iniciar Apixabana 5mg de 12/12 horas, por CHADS2-VASc igual a 3.

Pérola Clínica

FA + CHADS2-VASc ≥ 2 (homens) ou ≥ 3 (mulheres) → anticoagulação oral.

Resumo-Chave

O escore CHADS2-VASc é fundamental para avaliar o risco tromboembólico em pacientes com Fibrilação Atrial e guiar a decisão de anticoagulação. Para mulheres, a idade > 65 anos já confere 2 pontos, e > 75 anos confere 3 pontos, indicando a necessidade de anticoagulação.

Contexto Educacional

A Fibrilação Atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, com prevalência crescente com a idade. É um fator de risco significativo para acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. O manejo da FA inclui controle da frequência ou ritmo e, crucialmente, a prevenção de eventos tromboembólicos através da anticoagulação. A decisão de anticoagular é guiada pelo escore CHADS2-VASc, que avalia o risco de AVC. Os critérios incluem Insuficiência Cardíaca Congestiva (1 ponto), Hipertensão (1 ponto), Idade ≥ 75 anos (2 pontos), Diabetes Mellitus (1 ponto), AVC/AIT/Tromboembolismo prévio (2 pontos), Doença Vascular (1 ponto), Idade 65-74 anos (1 ponto) e Sexo Feminino (1 ponto). Uma pontuação de 0 para homens e 1 para mulheres geralmente não requer anticoagulação, enquanto ≥ 2 para homens e ≥ 3 para mulheres indica a necessidade de anticoagulação. Os anticoagulantes orais diretos (DOACs), como a apixabana, rivaroxabana, dabigatrana e edoxabana, são a primeira escolha para a maioria dos pacientes com FA não valvar devido à sua eficácia e perfil de segurança superior em comparação com a varfarina, além de não exigirem monitoramento laboratorial frequente. A dose de apixabana é tipicamente 5mg duas vezes ao dia, com redução para 2,5mg duas vezes ao dia em pacientes com pelo menos dois dos seguintes critérios: idade ≥ 80 anos, peso corporal ≤ 60 kg ou creatinina sérica ≥ 1,5 mg/dL.

Perguntas Frequentes

Como o escore CHADS2-VASc é calculado para uma mulher de 76 anos?

Para uma mulher de 76 anos, o CHADS2-VASc é calculado da seguinte forma: 1 ponto para idade > 65 anos (ou 2 pontos para > 75 anos), 1 ponto para sexo feminino. Neste caso, 76 anos = 2 pontos, sexo feminino = 1 ponto, totalizando 3 pontos.

Qual a indicação de anticoagulação oral para pacientes com Fibrilação Atrial?

A anticoagulação oral é indicada para homens com CHADS2-VASc ≥ 2 e para mulheres com CHADS2-VASc ≥ 3. Para escores menores, a decisão é individualizada ou a anticoagulação pode não ser necessária.

Quais são as opções de anticoagulantes orais para Fibrilação Atrial?

As opções incluem antagonistas da vitamina K (como a varfarina/Marevan) e os anticoagulantes orais diretos (DOACs/NOACs), como apixabana, rivaroxabana, dabigatrana e edoxabana. Os DOACs são geralmente preferidos devido à maior segurança e menor necessidade de monitoramento.

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