UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2023
Uma paciente de 62 anos, portadora de hipertensão arterial e diabetes procura o pronto atendimento referindo que há 3 dias vem apresentando palpitações. Já havia apresentado episódios semelhantes no passado, mas nunca procurou auxílio médico. Você percebe que a paciente está lúcida e orientada, com uma pressão arterial de 120x80 mmHg, com uma frequência respiratória de 20 e com uma saturação de O2 de 99%. No exame físico, as bulhas cardíacas estão irregulares e os pulmões estão limpos. Você coloca a paciente no monitor cardíaco e obtém o traçado a seguir. A sua conduta frente a essa paciente nesse momento é:
FA > 48h ou tempo incerto + CHA2DS2-VASc ≥ 2 (homem) ou ≥ 3 (mulher) → controle de frequência + anticoagulação oral.
Em pacientes com fibrilação atrial de início incerto ou > 48 horas, a prioridade é o controle da frequência cardíaca e a avaliação do risco tromboembólico para iniciar a anticoagulação. A cardioversão imediata é contraindicada sem anticoagulação prévia ou exclusão de trombos.
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, com prevalência crescente com a idade e comorbidades como hipertensão e diabetes. É uma causa importante de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico e deve ser prontamente reconhecida e manejada para prevenir complicações. O diagnóstico é feito por ECG, que mostra ausência de ondas P e ritmo ventricular irregularmente irregular. A avaliação inicial inclui estabilidade hemodinâmica e tempo de início da arritmia. Pacientes estáveis com FA de duração incerta ou > 48h requerem controle de frequência e avaliação do risco tromboembólico para anticoagulação. O manejo envolve controle de frequência (beta-bloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos) e anticoagulação oral, guiada pelo escore CHA2DS2-VASc, para prevenir AVC. A cardioversão (elétrica ou química) é considerada após anticoagulação adequada por 3-4 semanas ou exclusão de trombos por ecocardiograma transesofágico.
A anticoagulação é indicada para pacientes com fibrilação atrial e escore CHA2DS2-VASc ≥ 2 (homens) ou ≥ 3 (mulheres), independentemente do tempo de duração da FA. Em FA de início incerto ou > 48h, a anticoagulação deve ser iniciada antes de qualquer tentativa de cardioversão.
O controle de frequência visa manter a frequência cardíaca dentro de limites aceitáveis (geralmente < 110 bpm em repouso) sem necessariamente reverter a FA. O controle de ritmo busca restaurar e manter o ritmo sinusal. A escolha depende da estabilidade clínica e comorbidades do paciente.
A cardioversão elétrica imediata de emergência é indicada para pacientes com fibrilação atrial que apresentam instabilidade hemodinâmica, como hipotensão, choque, edema pulmonar agudo, isquemia miocárdica ativa ou alteração do nível de consciência, independentemente do tempo de início da arritmia.
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