UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020
Em relação à Fibrilação Atrial, assinale a afirmativa correta.
FA = ritmo irregular, mas pode ser regular com marcapasso ventricular funcional.
A Fibrilação Atrial é caracterizada por um ritmo atrial caótico e irregularmente irregular no ventrículo. No entanto, em pacientes com marcapasso cardíaco, especialmente aqueles com estimulação ventricular, o marcapasso pode impor um ritmo ventricular regular, mascarando a irregularidade atrial e tornando o pulso periférico regular, apesar da FA persistente.
A Fibrilação Atrial (FA) é a arritmia cardíaca sustentada mais comum, afetando milhões de pessoas globalmente. Caracteriza-se por uma atividade elétrica atrial caótica e desorganizada, resultando em contrações atriais ineficazes e uma resposta ventricular irregularmente irregular. Sua prevalência aumenta com a idade e está fortemente associada a doenças cardíacas estruturais, hipertensão, diabetes e outras comorbidades, sendo um importante fator de risco para eventos tromboembólicos, principalmente o Acidente Vascular Encefálico (AVE). Um ponto crucial para residentes é entender as nuances da apresentação da FA. Embora o ritmo irregular seja sua marca registrada, pacientes com marcapasso cardíaco podem apresentar um ritmo ventricular regular. Isso ocorre porque o marcapasso, ao estimular o ventrículo, impõe uma cadência regular, mesmo que o átrio continue em fibrilação. Essa situação pode mascarar a FA ou levar a uma interpretação equivocada do ritmo cardíaco, ressaltando a importância de uma anamnese completa e avaliação do dispositivo. O manejo da FA envolve controle de ritmo ou frequência, e, fundamentalmente, a prevenção de eventos tromboembólicos com anticoagulação. A anticoagulação oral, seja com antagonistas da vitamina K ou anticoagulantes orais diretos, é a principal estratégia para reduzir o risco de AVE, agindo na prevenção da formação de trombos no átrio. A idade avançada é um fator de risco independente para eventos tromboembólicos na FA, e a presença de doença cardíaca associada aumenta a frequência da arritmia, tornando o manejo ainda mais complexo e individualizado.
No ECG, a Fibrilação Atrial é caracterizada pela ausência de ondas P discerníveis, substituídas por ondas f (fibrilatórias) irregulares, e um ritmo ventricular irregularmente irregular, com intervalos R-R variáveis.
Um marcapasso com estimulação ventricular (ex: VVI, DDD) pode capturar o ventrículo e impor um ritmo regular, independentemente da atividade atrial caótica. Isso significa que, embora o átrio continue fibrilando, o ventrículo bate em um ritmo constante determinado pelo marcapasso.
A Fibrilação Atrial aumenta significativamente o risco de AVE isquêmico devido à estase sanguínea nos átrios, especialmente no apêndice atrial esquerdo, que favorece a formação de trombos. Esses trombos podem embolizar para a circulação sistêmica, incluindo as artérias cerebrais.
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