TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021
Um paciente de 86 anos de idade, diabético, hipertenso, começou a apresentar, há três dias, palpitações e tontura. Procura o Serviço de Emergência, onde dá entrada acordado e contactante. Ao exame, apresenta FC = 145 bpm, PA = 110 x 60 mmHg, ritmo cardíaco irregular e alguns estertores crepitantes nas bases pulmonares. É realizado eletrocardiograma que evidencia ausência de ondas P, irregularidade da linha de base (ondas F) e distância R-R irregular. Nesse caso, a conduta mais adequada na Emergência e:
FA > 48h e estável → Controle de frequência + Anticoagulação (evitar cardioversão imediata).
Em pacientes com FA de início indeterminado ou > 48h, a cardioversão imediata sem anticoagulação prévia aumenta o risco de tromboembolismo sistêmico.
A Fibrilação Atrial é a arritmia sustentada mais comum na prática clínica, especialmente em idosos. O manejo na emergência exige a distinção clara entre estabilidade e instabilidade. Para pacientes estáveis com mais de 48 horas de evolução, o risco de formação de trombos no apêndice atrial esquerdo é alto, exigindo cautela extrema antes de restaurar o ritmo sinusal para prevenir acidentes vasculares cerebrais isquêmicos.
A cardioversão elétrica imediata está indicada apenas em pacientes com instabilidade hemodinâmica decorrente da arritmia. Sinais de instabilidade incluem hipotensão arterial, sinais de choque, insuficiência cardíaca aguda (edema agudo de pulmão), dor torácica anginosa ou alteração do nível de consciência. Se o paciente estiver estável, a prioridade é o controle da frequência e a avaliação do risco tromboembólico antes de qualquer tentativa de reversão para o ritmo sinusal.
Em pacientes idosos e assintomáticos ou pouco sintomáticos, o controle da frequência cardíaca costuma ser a estratégia inicial preferida. O controle do ritmo (cardioversão) é reservado para pacientes jovens, muito sintomáticos, com primeira crise de FA ou quando a estratégia de controle de frequência falha. Em ambos os casos, a necessidade de anticoagulação a longo prazo é determinada pelo escore CHA2DS2-VASc, independentemente da estratégia de controle de ritmo adotada.
As principais classes de medicamentos para controle de frequência na FA são os betabloqueadores (como metoprolol ou carvedilol) e os bloqueadores de canais de cálcio não-diidropiridínicos (diltiazem ou verapamil). A digoxina pode ser adicionada em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. A escolha depende das comorbidades do paciente; por exemplo, deve-se evitar bloqueadores de canais de cálcio em pacientes com disfunção ventricular sistólica importante.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo