UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2019
Mulher de 68 anos, com diagnóstico de doença de Chagas, em uso de captopril, deu entrada no pronto atendimento com queixa de palpitações taquicárdicas e cansaço aos pequenos esforços há 3 dias. Ao exame físico, apresenta PA: 140 x 80 mmHg e FC: 138 bpm, com ritmo cardíaco irregular e sem sopros, pulmões limpos. Com base no quadro acima e no ECG apresentado, qual é a conduta inicial mais adequada?
FA em paciente chagásico estável hemodinamicamente → controle de frequência (diltiazem/digitálico IV) antes de cardioversão.
A paciente apresenta fibrilação atrial (ritmo irregular, taquicardia) e, apesar da FC elevada, está hemodinamicamente estável (PA 140x80 mmHg, pulmões limpos). Em FA de início incerto ou >48h, o controle da frequência é prioritário antes da cardioversão, devido ao risco de tromboembolismo.
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum e sua ocorrência em pacientes com doença de Chagas é particularmente relevante devido à cardiomiopatia chagásica, que predispõe a diversas arritmias e complicações tromboembólicas. A apresentação clínica de FA pode variar de assintomática a sintomas graves como palpitações, dispneia e síncope. A avaliação inicial no pronto atendimento deve focar na estabilidade hemodinâmica do paciente. No caso de um paciente hemodinamicamente estável com FA de início incerto ou com mais de 48 horas de duração, a prioridade é o controle da frequência cardíaca e a avaliação do risco tromboembólico. Agentes como diltiazem ou digitálicos (digoxina) intravenosos são opções eficazes para reduzir a frequência ventricular. A cardioversão elétrica ou farmacológica imediata é reservada para pacientes instáveis (hipotensão, choque, isquemia miocárdica aguda, insuficiência cardíaca descompensada) ou para aqueles com FA de início recente (<48h) e baixo risco de trombo. Para residentes, é crucial diferenciar entre pacientes estáveis e instáveis com FA. Em pacientes estáveis com FA >48h ou tempo incerto, a anticoagulação é mandatória por pelo menos 3 semanas antes de qualquer tentativa de cardioversão, ou a exclusão de trombos atriais por ecocardiograma transesofágico. A doença de Chagas, por si só, já confere um risco aumentado de tromboembolismo, tornando a anticoagulação ainda mais crítica.
A conduta inicial é o controle da frequência cardíaca com agentes como betabloqueadores (metoprolol), bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos (diltiazem, verapamil) ou digitálicos (digoxina), preferencialmente por via intravenosa.
A cardioversão imediata não é a primeira opção porque a FA tem início há 3 dias (>48h), o que aumenta o risco de tromboembolismo. Nesses casos, é necessário anticoagulação por 3 semanas ou exclusão de trombos por ecocardiograma transesofágico antes da cardioversão.
A Doença de Chagas frequentemente causa cardiomiopatia dilatada e fibrose miocárdica, predispondo a diversas arritmias, incluindo fibrilação atrial, taquicardia ventricular e bloqueios atrioventriculares, que podem levar a insuficiência cardíaca e morte súbita.
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