FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Um homem de 65 anos de idade, diabético, com DRC estágio 4 (TFG estimada 28 ml/min/1,73 m²) e hipertenso relatou possuir arritmia há anos, bem como insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada. O paciente estava em uso de losartana e apresentava PA de 150x90 mmHg e FC de 115 na consulta. Foram confirmadas aferições em valores semelhantes em controle, o que fora trazido pelo próprio paciente. A figura a seguir trata de um eletrocardiograma realizado uma semana antes da consulta relatada no caso clínico apresentado. Com base nesses resultados, assinale a opção correta, quanto à anticoagulação.
DRC Estágio 4 + FA → Apixabana é opção viável (ajuste de dose se critérios preenchidos).
Pacientes com TFG entre 15-29 ml/min (Estágio 4) podem utilizar apixabana, que demonstrou perfil de segurança favorável em comparação à varfarina.
O manejo da fibrilação atrial (FA) em pacientes com doença renal crônica (DRC) avançada representa um desafio clínico significativo, pois esses pacientes apresentam simultaneamente maior risco tromboembólico e maior risco hemorrágico. O escore CHA2DS2-VASc deve ser utilizado para estratificação de risco, e neste caso (idoso, hipertenso, diabético), a indicação de anticoagulação é clara. Historicamente, a varfarina era a única opção para TFG < 30 ml/min. No entanto, evidências contemporâneas e diretrizes (como as da AHA/ACC e ESC) passaram a permitir ou preferir o uso de certos DOACs, especialmente a apixabana, em pacientes com DRC estágio 4. A escolha deve considerar não apenas a função renal, mas também o perfil de segurança e a facilidade de adesão.
A apixabana possui uma depuração renal de aproximadamente 27%, a menor entre os DOACs. Estudos como o ARISTOTLE demonstraram que, mesmo em pacientes com disfunção renal moderada a grave, a apixabana foi superior à varfarina na redução de AVC e embolia sistêmica, com menor risco de sangramento maior, tornando-a uma opção atrativa na DRC estágio 4 (TFG 15-29 ml/min).
O ajuste de dose da apixabana (de 5mg para 2,5mg 2x/dia) deve ser feito se o paciente apresentar pelo menos dois dos seguintes critérios: idade ≥ 80 anos, peso ≤ 60 kg ou creatinina sérica ≥ 1,5 mg/dL. Na DRC estágio 5 ou diálise, o uso ainda é debatido, mas em estágio 4, a dose é guiada por esses critérios clínicos e laboratoriais.
Embora a varfarina tenha sido o padrão por décadas, seu manejo na DRC é difícil devido à instabilidade do INR e ao risco aumentado de calcifilaxia (arteriolopatia urêmica calcificante) e calcificação vascular acelerada, além de um risco hemorrágico intrinsecamente maior nesta população devido à disfunção plaquetária urêmica.
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