MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 68 anos, com histórico de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2, em uso regular de enalapril e metformina, procura atendimento médico relatando palpitações persistentes que se iniciaram há cerca de 72 horas. Ao exame físico, o paciente está lúcido, orientado, com pressão arterial de 132x84 mmHg, frequência cardíaca de 118 bpm e saturação de oxigênio de 96% em ar ambiente. O eletrocardiograma realizado na admissão revela ritmo de fibrilação atrial com resposta ventricular controlada. Não há sinais de insuficiência cardíaca congestiva ou instabilidade hemodinâmica. Com base no quadro clínico apresentado e nas diretrizes para estratificação de risco e anticoagulação, assinale a alternativa correta:
FA > 48h ou tempo incerto → Anticoagulação 3 sem antes + 4 sem depois OU ETE para excluir trombo.
Em pacientes estáveis com FA de início > 48h, a restauração do ritmo exige proteção embólica rigorosa devido ao risco de deslocamento de trombos atriais formados durante a arritmia.
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia supraventricular mais comum e um importante fator de risco para AVC. O manejo da FA estável foca na prevenção de eventos tromboembólicos e na decisão entre controle de frequência ou de ritmo. Quando a arritmia tem mais de 48 horas de evolução, o risco de formação de trombos atriais é significativo. As diretrizes atuais recomendam que, para cardioversão eletiva em FA com mais de 48h, deve-se realizar anticoagulação terapêutica por pelo menos 3 semanas antes do procedimento ou realizar um ETE para excluir trombos. Após a cardioversão, a anticoagulação deve ser mantida por no mínimo 4 semanas para todos os pacientes. A decisão de manter a anticoagulação de forma definitiva após esse período é guiada exclusivamente pelo escore CHA2DS2-VASc, e não pelo sucesso em manter o ritmo sinusal.
O paciente possui 3 pontos: Idade 65-74 anos (1 pt), Hipertensão (1 pt) e Diabetes Mellitus (1 pt). Para homens, uma pontuação ≥ 2 indica recomendação de classe I para anticoagulação oral crônica a longo prazo, independentemente do sucesso da cardioversão, para prevenir AVC isquêmico.
Mesmo com a restauração do ritmo sinusal no ECG, o átrio não recupera sua função mecânica contrátil imediatamente, fenômeno conhecido como 'atordoamento atrial' (stunning). Durante esse período, o fluxo sanguíneo no apêndice atrial ainda é lento, permitindo a formação de novos trombos. Portanto, a anticoagulação por 4 semanas é mandatória para cobrir esse período de vulnerabilidade.
O ETE é utilizado como uma estratégia alternativa para abreviar o tempo de espera para a cardioversão em pacientes com FA > 48h ou tempo desconhecido. Se o ETE descartar a presença de trombos no apêndice atrial esquerdo, a cardioversão pode ser realizada imediatamente, desde que o paciente receba heparina antes do procedimento e mantenha anticoagulação por 4 semanas após.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo