AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024
Mulher de 67 anos, tabagista ativa com carga acumulada de 30 anos-maço, hipertensa, procura pronto atendimento com cerca de 2 horas de evolução de palpitações. Avaliação inicial evidencia FC 160bpm, bulhas arrítmicas, PA 160 x 90 mmHg e eletrocardiograma com fibrilação atrial. Relata estar apresentando episódios semelhantes de duração mais curta e resolução espontânea nos últimos 3 meses. Com relação a condução do caso, assinale a afirmação correta.
FA em paciente com CHA2DS2-VASc elevado (67a, HAS, tabagismo) → anticoagulação crônica é prioritária para prevenção de AVC.
A paciente apresenta fibrilação atrial e múltiplos fatores de risco para AVC (idade >65, hipertensão, tabagismo). Seu escore CHA2DS2-VASc é elevado (pelo menos 3 pontos: 2 por idade, 1 por HAS), indicando alta necessidade de anticoagulação crônica para prevenção de eventos tromboembólicos, independentemente da estratégia de controle de ritmo ou frequência.
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia cardíaca sustentada mais comum, associada a um risco significativamente aumentado de acidente vascular cerebral (AVC) tromboembólico. O manejo da FA envolve duas estratégias principais: controle de frequência e controle de ritmo, além da crucial prevenção de tromboembolismo. A paciente do caso, com 67 anos, hipertensão e tabagismo, apresenta múltiplos fatores de risco para AVC, o que a coloca em uma categoria de alto risco. A estratificação do risco tromboembólico é realizada pelo escore CHA2DS2-VASc, que atribui pontos para insuficiência cardíaca, hipertensão, idade ≥ 75 anos (2 pontos), diabetes mellitus, AVC/AIT/tromboembolismo prévio (2 pontos), doença vascular, idade 65-74 anos e sexo feminino. Para esta paciente, a idade (67 anos = 1 ponto) e a hipertensão (1 ponto) já conferem um escore de pelo menos 2, indicando a necessidade de anticoagulação crônica. O tabagismo, embora não esteja no escore, é um fator de risco cardiovascular adicional. A anticoagulação crônica é o pilar mais importante na prevenção de AVC em pacientes com FA de alto risco. As opções incluem antagonistas da vitamina K (AVK), como a varfarina, e os anticoagulantes orais diretos (DOACs ou NOACs), que são inibidores diretos da trombina (dabigatrana) ou inibidores do fator Xa (rivaroxabana, apixabana, edoxabana). Os DOACs são geralmente preferidos devido à sua previsibilidade farmacocinética, menor necessidade de monitoramento e menor número de interações medicamentosas. A dupla antiagregação plaquetária com AAS e clopidogrel NÃO é uma alternativa à anticoagulação para prevenção de AVC cardioembólico na FA e é ineficaz para esse fim.
O escore CHA2DS2-VASc é uma ferramenta crucial para estratificar o risco de AVC isquêmico em pacientes com fibrilação atrial. Ele guia a decisão sobre a necessidade de anticoagulação crônica, sendo que escores mais altos indicam maior risco e, consequentemente, maior benefício da anticoagulação.
A cardioversão elétrica é indicada em pacientes com FA e instabilidade hemodinâmica (hipotensão, choque, isquemia miocárdica aguda, edema pulmonar agudo) ou para restaurar o ritmo sinusal em pacientes sintomáticos sem instabilidade, após adequada anticoagulação ou exclusão de trombos.
As opções incluem antagonistas da vitamina K (como a varfarina) e os anticoagulantes orais diretos (DOACs ou NOACs), que compreendem inibidores diretos da trombina (dabigatrana) e inibidores do fator Xa (rivaroxabana, apixabana, edoxabana). Os DOACs são geralmente preferidos pela facilidade de uso e menor interação.
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