UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Homem de 55 anos é encaminhado para investigação de ferritina de 1.350ng/mL. Tem 125Kg e 175cm. Refere uso de alcool diariamente em moderadas quantidades (duas a três latas de cerveja) há pelo menos 30 anos. Ferro sérico 100mcg/dL e TIBC 300mcg/dL. Assinale a alternativa correta sobre esse caso:
Ferritina ↑ em paciente obeso, etilista crônico, sem saturação transferrina ↑ → suspeitar doença hepática crônica/inflamação.
A ferritina é um marcador de reserva de ferro, mas também um reagente de fase aguda. Níveis muito elevados de ferritina em um paciente obeso e etilista crônico, com ferro sérico e TIBC normais (resultando em saturação de transferrina normal), sugerem uma causa inflamatória ou doença hepática crônica (como esteatose hepática alcoólica ou não alcoólica) em vez de hemocromatose primária, onde a saturação de transferrina estaria tipicamente elevada.
A ferritina sérica é uma proteína de armazenamento de ferro e um importante marcador das reservas de ferro do corpo. No entanto, ela também atua como um reagente de fase aguda, elevando-se em diversas condições inflamatórias, infecciosas e neoplásicas, mesmo na ausência de sobrecarga de ferro. A interpretação de níveis elevados de ferritina requer a avaliação de outros parâmetros do metabolismo do ferro e do contexto clínico do paciente. No caso apresentado, o paciente é obeso e etilista crônico, fatores de risco importantes para doença hepática crônica, como esteatose hepática alcoólica ou não alcoólica (DHGNA/DHA). A doença hepática é uma causa muito comum de ferritina elevada, devido à liberação de ferritina pelos hepatócitos danificados e ao estado inflamatório associado. O ferro sérico e o TIBC (capacidade total de ligação do ferro) normais, resultando em uma saturação de transferrina normal, afastam a hemocromatose primária, onde a saturação de transferrina estaria classicamente elevada. Portanto, a investigação deve focar nas causas secundárias de ferritina elevada, com forte suspeita de doença hepática crônica relacionada ao alcoolismo e/ou síndrome metabólica. O manejo envolveria a investigação da função hepática, ultrassonografia abdominal e aconselhamento sobre a redução do consumo de álcool e modificações no estilo de vida para o controle do peso.
Além da sobrecarga de ferro (hemocromatose), a ferritina pode estar elevada em condições inflamatórias crônicas (como doenças autoimunes, infecções crônicas), doenças hepáticas (esteatose, hepatites virais, cirrose), síndrome metabólica, alcoolismo e algumas neoplasias.
Na doença hepática, a ferritina é elevada, mas a saturação de transferrina geralmente é normal ou discretamente elevada. Na hemocromatose, tanto a ferritina quanto a saturação de transferrina estão significativamente elevadas (>45-50%), e há evidência de sobrecarga de ferro tecidual.
O alcoolismo crônico pode levar à elevação da ferritina por diversos mecanismos, incluindo dano hepático (esteatose, hepatite alcoólica), que libera ferritina dos hepatócitos, e um estado inflamatório crônico. Além disso, o álcool pode aumentar a absorção de ferro, contribuindo para uma sobrecarga leve.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo