Ferimento Descolante: Manejo com Enxertia e Vácuo

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 23 anos de idade, motociclista, foi vítima de colisão com automóvel. No Serviço de Emergência foi avaliado e liberado pela Cirurgia Geral e pela Ortopedia, sendo posteriormente encaminhado à cirurgia plástica que identificou ferimento descolante de terço médio da perna direita, após descartada fratura. Qual é a melhor conduta, além da limpeza com soro fisiológico e degermação?

Alternativas

  1. A) Ressecção e desprezo dos tecidos descolados, curativo oclusivo simples ou de pressão negativa sobre o leito cruento.
  2. B) Ressecção e emagrecimento da pele descolada, enxertia da pele emagrecida sobre o leito cruento, curativo de pressão negativa sobre enxerto.
  3. C) Ressecção de toda pele descolada e rotação de retalho local da coxa.
  4. D) Ressecção de toda pele descolada, enxerto parcial de pele de coxa contralateral e curativo de pressão negativa sobre enxerto.

Pérola Clínica

Ferimento descolante → Desbridamento, emagrecimento da pele desluvada e re-enxertia com curativo a vácuo.

Resumo-Chave

Ferimentos descolantes (desluvamento) resultam em grande área de pele separada do tecido subcutâneo, com comprometimento vascular. A conduta ideal envolve desbridamento do tecido desvitalizado, 'emagrecimento' da pele descolada para remover gordura e tecido inviável, e re-enxertia dessa mesma pele, muitas vezes com auxílio de curativo de pressão negativa para otimizar a pega do enxerto.

Contexto Educacional

Ferimentos descolantes, também conhecidos como desluvamento ou lesão de Morel-Lavallée quando fechados, são lesões complexas resultantes de forças de cisalhamento. São comuns em traumas de alta energia, como acidentes motociclísticos, e frequentemente afetam a perna devido à escassez de tecido subcutâneo e à proximidade da pele com a tíbia. A avaliação inicial deve descartar fraturas e lesões vasculares. A fisiopatologia envolve a separação da pele e do tecido subcutâneo da fáscia muscular, criando um espaço morto que pode acumular sangue e linfa, além de comprometer a vascularização da pele descolada. O diagnóstico é clínico, com a palpação de uma área de flutuação ou a visualização direta da pele separada. O tratamento de ferimentos descolantes é desafiador e requer expertise em cirurgia plástica. Após a limpeza e desbridamento de tecidos desvitalizados, a melhor conduta para a pele desluvada, se viável, é 'emagrecê-la' (remover a gordura subcutânea) e re-enxertá-la sobre o leito cruento. O uso de curativo de pressão negativa (VAC) sobre o enxerto é uma técnica valiosa que melhora a pega do enxerto, reduz o edema e otimiza a cicatrização, sendo superior a outras abordagens como ressecção total ou retalhos complexos em muitos casos.

Perguntas Frequentes

O que é um ferimento descolante e qual sua principal característica?

Um ferimento descolante, ou desluvamento, é uma lesão traumática onde a pele e o tecido subcutâneo são separados das fáscias profundas e músculos, criando um espaço morto e comprometendo a vascularização da pele.

Qual o papel do 'emagrecimento' da pele desluvada antes da enxertia?

O 'emagrecimento' consiste na remoção cuidadosa do tecido gorduroso e desvitalizado da derme profunda da pele desluvada, transformando-a em um enxerto de pele de espessura total ou parcial, otimizando sua pega no leito receptor.

Como o curativo de pressão negativa (VAC) auxilia no tratamento de ferimentos descolantes?

O VAC promove a remoção de exsudato, reduz o edema, estimula a formação de tecido de granulação, aproxima as bordas da ferida e, quando aplicado sobre enxertos, melhora a adesão e a vascularização, aumentando a taxa de pega.

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