Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Homem de 35 anos deu entrada na emergência de hospital terciário, vítima de ferimento por arma branca no pescoço após discussão no trânsito. Na admissão, apresentava-se consciente, com muita dificuldade para respirar, estridor laríngeo, alteração da voz importante e dor cervical, onde observou-se ferimento extenso e profundo de 4 cm extensão em zona II. cervical à esquerda (trígono carotídeo), com sangramento abundante e escape de ar pelo ferimento. Exame torácico, abdominal e pélvico sem alterações. Escoriações de membros superiores, sem sinais de fraturas. Membros inferiores sem alterações. PA: 85/55 mmHg; Sat. O2: 90%; FR: 24 mrpm; FC: 128 bpm; Escala de Coma de Glasgow 14. Diante dos dados, após estabilização inicial na sala de emergência preconizada pelo ATLS™, qual deverá ser a conduta definitiva diante do ferimento cervical?
Trauma cervical penetrante com sinais de choque e comprometimento de via aérea → Cervicotomia exploradora imediata.
Ferimentos cervicais penetrantes com "sinais duros" (hard signs) de lesão vascular ou de via aérea, como choque, sangramento ativo, estridor, ou escape de ar, exigem exploração cirúrgica imediata (cervicotomia exploradora) após a estabilização inicial do paciente, conforme os princípios do ATLS.
O trauma cervical penetrante é uma emergência médica que exige avaliação rápida e manejo adequado, especialmente em ferimentos localizados na Zona II, que abrange a área entre a cartilagem cricoide e o ângulo da mandíbula. Esta região é particularmente crítica devido à presença de estruturas vitais como a via aérea, esôfago, vasos carotídeos e vertebrais, e nervos importantes. A identificação precoce de sinais de comprometimento dessas estruturas é fundamental para o prognóstico do paciente. A fisiopatologia envolve a lesão direta das estruturas por projéteis ou armas brancas, resultando em hemorragia, comprometimento da via aérea (com estridor e escape de ar), lesão esofágica ou neurológica. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos "sinais duros" de lesão, que incluem choque, sangramento ativo e pulsátil, hematoma expansivo, estridor, escape de ar pelo ferimento, disfagia grave e déficit neurológico focal. A presença de qualquer um desses sinais indica a necessidade de intervenção imediata. O tratamento inicial segue os princípios do ATLS, com prioridade para a estabilização da via aérea, controle da hemorragia e suporte circulatório. Em pacientes com sinais duros de lesão, a conduta definitiva é a cervicotomia exploradora imediata para identificar e reparar as estruturas lesadas. Exames de imagem são reservados para pacientes estáveis e sem sinais duros, a fim de guiar a conduta e descartar lesões ocultas.
Os "sinais duros" incluem choque, sangramento ativo e pulsátil, hematoma expansivo, estridor, escape de ar pelo ferimento, disfagia grave e déficit neurológico focal. A presença de qualquer um desses indica alta probabilidade de lesão grave.
A cervicotomia exploradora é indicada devido à presença de múltiplos sinais duros de lesão (choque, estridor, escape de ar, sangramento abundante), que sugerem comprometimento grave de estruturas vitais e exigem intervenção cirúrgica imediata para controle e reparo.
Exames de imagem como TC ou angio-TC são indicados para pacientes hemodinamicamente estáveis e sem sinais duros de lesão, para avaliar a extensão do ferimento e identificar lesões ocultas, guiando uma conduta mais conservadora ou planejada.
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