Manejo de Feridas Traumáticas: Quando Suturar e Quando Não

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

Um paciente de dezoito anos de idade procurou o serviço médico por ter sofrido uma queda da própria altura há cerca de doze horas, apresentando ferimento na região do braço direito, com dor local. Ao exame, observou-se lesão de 12 cm de extensão no braço, com separação entre as bordas de 3 cm e hiperemia local, além de edema. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a melhor orientação.

Alternativas

  1. A) fazer sutura com pontos intradérmicos para obter melhor resultado estético
  2. B) suturar com ponto contínuo para facilitar a aproximação das bordas da lesão
  3. C) manter a ferida aberta, sem sutura, para evitar infecção
  4. D) fazer o debridamento das bordas da lesão para poder suturá-la com ponto Donatt
  5. E) fazer sutura com três pontos simples, bem separados, para direcionar a cicatrização

Pérola Clínica

Ferida traumática > 6-8h com sinais inflamatórios → não suturar primariamente, considerar fechamento por segunda intenção ou sutura tardia.

Resumo-Chave

Ferimentos traumáticos com mais de 6-8 horas de evolução, especialmente com sinais de inflamação (hiperemia, edema) e separação de bordas, têm alto risco de infecção se suturados primariamente. Nesses casos, a melhor conduta é manter a ferida aberta para cicatrização por segunda intenção ou realizar debridamento e sutura primária tardia. A sutura com pontos simples e bem separados permite drenagem e observação, sendo uma abordagem mais segura para feridas com maior risco de contaminação.

Contexto Educacional

O manejo de ferimentos traumáticos é uma habilidade fundamental na prática médica, e a decisão de suturar ou não, e como suturar, depende de diversos fatores, sendo o tempo de evolução um dos mais críticos. Feridas com mais de 6 a 8 horas de evolução são consideradas 'feridas antigas' ou 'contaminadas', e o risco de infecção se suturadas primariamente aumenta significativamente. No caso apresentado, o ferimento tem 12 horas de evolução, com separação de bordas e sinais de hiperemia e edema, indicando um processo inflamatório e potencial contaminação. Suturar uma ferida nessas condições com pontos contínuos ou intradérmicos, que promovem um fechamento hermético, aumentaria o risco de formação de abscesso e infecção grave. O debridamento das bordas é uma etapa importante para remover tecido desvitalizado, mas a sutura imediata após 12 horas ainda é arriscada. A melhor orientação para feridas com alto risco de infecção ou já com sinais inflamatórios é evitar o fechamento primário imediato. As opções incluem a cicatrização por segunda intenção (manter a ferida aberta) ou o fechamento primário tardio (sutura após alguns dias, quando o risco de infecção diminui). A alternativa E, 'fazer sutura com três pontos simples, bem separados, para direcionar a cicatrização', é uma forma de sutura por segunda intenção ou fechamento primário tardio que permite a drenagem de exsudatos e a observação da ferida, minimizando o risco de infecção e guiando a cicatrização de forma mais segura.

Perguntas Frequentes

Qual o tempo limite para realizar uma sutura primária em ferimentos traumáticos?

A 'regra de ouro' tradicional é de 6 a 8 horas para ferimentos limpos, embora esse tempo possa ser estendido para até 12-24 horas em áreas bem vascularizadas (face, couro cabeludo) ou em pacientes sem comorbidades, desde que a ferida não apresente sinais de infecção ou contaminação excessiva.

O que é cicatrização por segunda intenção e quando ela é indicada?

A cicatrização por segunda intenção ocorre quando as bordas da ferida não são aproximadas, permitindo que ela se feche por granulação e contração. É indicada para feridas muito contaminadas, infectadas, com perda de tecido significativa ou quando há alto risco de infecção se suturadas primariamente.

Quais são os sinais de infecção em uma ferida e como eles influenciam a conduta?

Sinais de infecção incluem hiperemia, edema, dor, calor local, secreção purulenta e febre. A presença desses sinais contraindica a sutura primária, exigindo debridamento, limpeza rigorosa e, muitas vezes, cicatrização por segunda intenção ou fechamento primário tardio após controle da infecção.

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