FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021
Dois adolescentes saudáveis se envolvem numa briga na saída da escola. Um deles comparece ao PS, duas horas após o evento, com laceração do dorso da mão direita, próxima à articulação metacarpo falangeana, oca- sionada por socos com a mão fechada na boca do outro adolescente. Assinale a alternativa correta.
Ferida por soco na boca ('fight bite') na mão → alto risco de infecção profunda por bactérias orais, mesmo se lavada.
As feridas por soco na boca são perigosas devido à inoculação de flora oral na cápsula articular ou tendões. A posição da mão durante o soco (fechada) e após (aberta) cria um mecanismo de 'válvula' que aprisiona bactérias profundamente, justificando a profilaxia antibiótica e exploração cirúrgica.
As lesões por soco na boca, também conhecidas como 'fight bites', são lacerações na mão resultantes do impacto do punho fechado contra os dentes de outra pessoa. Essas feridas são particularmente perigosas devido ao alto risco de infecção, pois inoculam bactérias da flora oral (como Eikenella corrodens e espécies de Streptococcus e Staphylococcus) profundamente nos tecidos, incluindo cápsulas articulares, tendões e ossos, especialmente na região da articulação metacarpo falangeana. A prevalência de infecção pode chegar a 50% se não tratada adequadamente. A fisiopatologia da infecção nessas lesões é única: quando a mão está fechada (durante o soco), as estruturas profundas (tendões, cápsula articular) estão expostas. Ao abrir a mão, essas estruturas se retraem, aprisionando as bactérias e detritos dentro da ferida, criando um ambiente ideal para a proliferação bacteriana. Por isso, mesmo uma ferida aparentemente superficial pode esconder uma infecção profunda e grave. O diagnóstico exige alta suspeição clínica e avaliação cuidadosa, incluindo radiografias para descartar fraturas ou corpos estranhos (fragmentos dentários). O tratamento envolve irrigação abundante, desbridamento cirúrgico de tecidos desvitalizados, exploração da ferida para avaliar danos a estruturas profundas e profilaxia antibiótica empírica com cobertura para flora oral (ex: amoxicilina-clavulanato). Em casos de infecção estabelecida, a internação e antibióticos intravenosos são frequentemente necessários. A prevenção de complicações graves, como osteomielite ou artrite séptica, depende do reconhecimento precoce e do manejo agressivo, tornando este um tópico crucial para residentes em emergência e cirurgia.
O principal risco é a infecção profunda, incluindo artrite séptica da articulação metacarpo falangeana, tenossinovite e osteomielite. A flora oral, como Eikenella corrodens e espécies de Streptococcus, é inoculada profundamente, e o mecanismo de 'válvula' da mão aprisiona as bactérias.
O tratamento inicial inclui irrigação abundante da ferida, desbridamento cirúrgico de tecidos desvitalizados, exploração cuidadosa para avaliar danos a estruturas profundas (tendões, cápsula articular) e profilaxia antibiótica empírica com cobertura para flora oral, como amoxicilina-clavulanato.
As infecções por mordida humana são polimicrobianas, envolvendo bactérias aeróbias e anaeróbias. As mais comuns incluem espécies de Streptococcus, Staphylococcus aureus, Eikenella corrodens e anaeróbios como Fusobacterium e Peptostreptococcus.
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