Feocromocitoma: Manejo Perioperatório e Erros Comuns

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2019

Enunciado

FSP, sexo masculino, 47 anos, casado, eletricista, queixa-se de cefaleia, sudorese e palpitações que surgiram há cerca de 6 meses e que vêm se tornando mais intensas. Informa hipertensão arterial de difícil controle com administração de losartana e amlodipina. Ao exame, apresentava PA de 160 x 100mmHg e pulso de 96ppm. Exames laboratoriais de rotina estavam normais. Foi solicitada a dosagem plasmática de metanefrinas livres, que se mostrava elevada. Prosseguindo na propedêutica foi realizada a dosagem do nível sérico de catecolaminas e deus metabólitos na urina de 24 horas, ambas elevadas. Exames de imagem revelaram nódulo solitário em suprarrenal direita (figura abaixo), sendo indicado tratamento cirúrgico. Sobre o perioperatório em pacientes nesta situação, assinale alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Deve ser realizada biopsia de congelação no pré-operatório, pois o critério de malignidade é essencialmente histopatológico
  2. B) Deve-se administrar bloqueador alfa-adrenérgico logo após estabelecido o diagnóstico 
  3. C) Na presença de taquicardia persistente pode-se administrar betabloqueadores após bloqueio alfa-adrenérgico adequado
  4. D) Pode ocorrer hipotensão grave no período pós-operatório devido à vasodilatação arteriolar periférica e aumento da capacitância venosa, após a remoção do tumor

Pérola Clínica

Feocromocitoma: Biópsia pré-operatória contraindicada → risco de crise hipertensiva. Bloqueio alfa-adadrenérgico essencial.

Resumo-Chave

A biópsia de congelação ou qualquer biópsia pré-operatória de um feocromocitoma é contraindicada devido ao alto risco de precipitar uma crise hipertensiva grave. O diagnóstico é bioquímico e por imagem, com a confirmação histopatológica ocorrendo após a ressecção cirúrgica do tumor.

Contexto Educacional

O feocromocitoma é um tumor raro de células cromafins que produz catecolaminas, manifestando-se com hipertensão de difícil controle, cefaleia, sudorese e palpitações. Seu diagnóstico é bioquímico (metanefrinas e catecolaminas) e por imagem, sendo crucial para evitar complicações graves. É uma condição importante para residentes devido à sua apresentação clínica desafiadora e manejo perioperatório complexo. A fisiopatologia envolve a liberação excessiva de noradrenalina e adrenalina, levando a um estado de hiperestimulação simpática. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em pacientes com hipertensão refratária ou sintomas paroxísticos. A localização do tumor é feita por tomografia ou ressonância magnética, e a cintilografia com MIBG pode ser útil em casos de tumores extra-adrenais ou metastáticos. O tratamento definitivo é cirúrgico, mas o preparo pré-operatório é a chave para o sucesso e segurança do paciente. O bloqueio alfa-adrenérgico é mandatório, seguido, se necessário, por beta-bloqueadores para taquicardia. A biópsia pré-operatória é estritamente contraindicada. No pós-operatório, a vigilância para hipotensão e hipoglicemia é essencial, dada a súbita retirada do estímulo catecolaminérgico.

Perguntas Frequentes

Por que a biópsia de um feocromocitoma é contraindicada no pré-operatório?

A biópsia pré-operatória de um feocromocitoma é contraindicada devido ao risco iminente de induzir uma crise hipertensiva grave e potencialmente fatal pela liberação maciça de catecolaminas durante a manipulação do tumor.

Qual a conduta inicial no manejo pré-operatório de um feocromocitoma?

A conduta inicial e mais crítica é o bloqueio alfa-adrenérgico, geralmente com fenoxibenzamina ou doxazosina, para controlar a pressão arterial e prevenir crises hipertensivas. O bloqueio beta-adrenérgico só deve ser iniciado após o bloqueio alfa adequado.

Quais são as principais complicações pós-operatórias da ressecção de um feocromocitoma?

As principais complicações incluem hipotensão grave devido à vasodilatação periférica após a remoção da fonte de catecolaminas, hipoglicemia e, em casos raros, persistência da hipertensão se houver tecido tumoral residual ou metástases.

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