Feocromocitoma e MEN2: Diagnóstico em Casos Complexos

Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2024

Enunciado

Paciente feminina, 32 anos, procura atendimento médico queixando de palpitações há 60 dias. Relata que se iniciam em repouso, subitamente, sem relação com esforços físicos ou alterações emocionais. Nega dor torácica, nega dispneia. Nega perda de consciência. Associa as crises de palpitações com cefaleia importante e aumento da pressão arterial. Tem antecedentes de tireoidectomia total com esvaziamento cervical por câncer de tireoide na infância. Exame físico realizado durante uma crise: estável hemodinamicamente, em bom estado geral, sudoreica, corada, hidratada, eupneica, anictérica, acianótica, afebril. Bulhas cardíacas rítmicas, taquicárdicas, sem sopros. Ausculta pulmonar normal. Abdome sem alterações. Cicatriz cervical prévia sem alterações dignas de nota. Ausência de linfonodomegalias atípicas. Pulsos cheios, amplos, simétricos. Ausência de edema de membros inferiores. Foi submetida aos exames abaixo. Assinale a principal hipótese diagnóstica.

Alternativas

  1. A) Fibrilação atrial de alta resposta.
  2. B) Neoplasia endócrina múltipla.
  3. C) Síndrome coronariana aguda.
  4. D) Transtorno de ansiedade generalizada.

Pérola Clínica

Palpitações + cefaleia + hipertensão paroxística em paciente com histórico de câncer de tireoide → suspeitar de Feocromocitoma/MEN2.

Resumo-Chave

A tríade clássica de feocromocitoma (palpitações, cefaleia, sudorese) associada à hipertensão paroxística é um forte indicativo. O histórico de tireoidectomia por câncer de tireoide na infância levanta a suspeita de Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2 (MEN2), que inclui feocromocitoma e carcinoma medular de tireoide.

Contexto Educacional

O feocromocitoma é um tumor raro, geralmente benigno, que se origina das células cromafins da medula adrenal e produz catecolaminas em excesso. Sua importância clínica reside na capacidade de causar hipertensão grave e potencialmente fatal, além de ser um marcador para síndromes genéticas como a Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2 (MEN2). A suspeita diagnóstica é crucial para evitar complicações cardiovasculares e metabólicas. A fisiopatologia envolve a liberação intermitente ou contínua de noradrenalina, adrenalina e dopamina, resultando em sintomas como palpitações, cefaleia, sudorese e hipertensão paroxística. O diagnóstico é bioquímico, com dosagem de metanefrinas plasmáticas ou urinárias, seguido por localização do tumor com exames de imagem. Em pacientes com histórico familiar ou pessoal de carcinoma medular de tireoide, a investigação de feocromocitoma é mandatórias devido à associação com MEN2. O tratamento definitivo é cirúrgico, mas exige preparo pré-operatório rigoroso com bloqueio alfa-adrenérgico para controlar a pressão arterial e prevenir crises hipertensivas durante a cirurgia. O prognóstico é bom se o tumor for ressecado completamente, mas o acompanhamento é necessário devido ao risco de recorrência ou desenvolvimento de novos tumores em casos de síndromes genéticas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas que sugerem feocromocitoma?

Os sinais clássicos incluem a tríade de palpitações, cefaleia e sudorese, frequentemente acompanhados de hipertensão paroxística. Outros sintomas podem ser ansiedade, tremores e dor torácica.

Por que o histórico de câncer de tireoide é relevante para o diagnóstico de feocromocitoma?

O câncer de tireoide, especialmente o carcinoma medular, pode ser uma manifestação da Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2 (MEN2), uma síndrome genética que também predispõe ao feocromocitoma.

Quais exames laboratoriais são indicados para investigar feocromocitoma?

A investigação inicial envolve a dosagem de metanefrinas e normetanefrinas plasmáticas livres ou metanefrinas fracionadas urinárias de 24 horas. Exames de imagem como TC ou RM abdominal são usados para localizar o tumor após a confirmação bioquímica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo