Feocromocitoma: Manejo do Bloqueio Adrenérgico Pré-Operatório

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Trata-se de paciente de 35 anos, sexo feminino, internada para tratamento cirúrgico de feocromocitoma. Sem queixas. Apresenta-se hipertensa (PA = 155/110 mmHg) e taquicardia (124 bpm). Sem outras alterações ao exame físico. Não estava em uso de medicamentos. Em relação à condição apresentada, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A remoção cirúrgica do tumor deve ser preferencialmente a céu aberto, sendo raramente bemsucedida quando se emprega cirurgia laparoscópica.
  2. B) Ausência de hipertensão arterial sistêmica e ocorrência de hipotensão postural na ausência do uso de medicamentos afasta o diagnóstico de feocromocitoma.
  3. C) No pré-operatório, o bloqueio alfa adrenérgico deve preceder o bloqueio beta adrenérgico devido ao risco de elevação adicional da pressão arterial.
  4. D) Somente a análise histológica permite confirmar se o feocromocitoma é maligno ou benigno. Atenção: O enunciado abaixo corresponde às questões 18 e 19. Homem de 27 anos se envolve em acidente automobilístico. Ele sofre lesão intra-abdominal e fratura do fêmur. A PA é 60/40mmHg e o hematócrito é 16%.

Pérola Clínica

Bloqueio alfa SEMPRE precede o beta no feocromocitoma para evitar vasoconstrição grave desimpedida.

Resumo-Chave

O preparo pré-operatório do feocromocitoma exige bloqueio alfa-1 adrenérgico por 7-14 dias antes de considerar o bloqueio beta, visando prevenir crises hipertensivas intraoperatórias.

Contexto Educacional

O feocromocitoma é um tumor produtor de catecolaminas derivado das células cromafins da medula adrenal. A fisiopatologia envolve a secreção episódica ou contínua de norepinefrina e epinefrina, resultando na tríade clássica de cefaleia, sudorese e palpitações, associada à hipertensão arterial. O diagnóstico é bioquímico, através da dosagem de metanefrinas plasmáticas ou urinárias, seguido de localização por imagem (TC ou RM). O manejo cirúrgico é definitivo, mas o risco perioperatório é elevado devido à instabilidade hemodinâmica. O bloqueio alfa-adrenérgico (geralmente com fenoxibenzamina ou prazosina) é mandatório. Somente após o controle da pressão e expansão volêmica, se persistir taquicardia, adiciona-se o beta-bloqueador. Critérios de Roizen são frequentemente usados para avaliar se o paciente está adequadamente 'preparado' para a cirurgia, incluindo ausência de arritmias e pressão arterial estável.

Perguntas Frequentes

Por que o bloqueio alfa deve vir antes do beta no feocromocitoma?

No feocromocitoma, há excesso de catecolaminas circulantes. Se o bloqueio beta for iniciado primeiro, os receptores beta-2 (vasodilatadores) são bloqueados, deixando os receptores alfa-1 (vasoconstritores) livres para serem estimulados pelas catecolaminas sem oposição. Isso resulta em uma vasoconstrição periférica maciça, elevando drasticamente a pressão arterial e podendo causar falência ventricular esquerda aguda ou hemorragia intracraniana. O bloqueio alfa prévio garante a vasodilatação e a expansão do volume plasmático antes de controlar a taquicardia com beta-bloqueadores.

Qual o tempo ideal de preparo pré-operatório?

O consenso recomenda um período de 7 a 14 dias de bloqueio alfa-adrenérgico. O objetivo é normalizar a pressão arterial e, crucialmente, permitir a reexpansão do volume intravascular, que costuma estar contraído devido à vasoconstrição crônica. A eficácia do bloqueio é monitorada pela redução da pressão arterial e pelo surgimento de leve hipotensão postural, indicando que o leito vascular está adequadamente dilatado para o procedimento cirúrgico.

A cirurgia laparoscópica é contraindicada no feocromocitoma?

Não, pelo contrário. Atualmente, a adrenalectomia laparoscópica (ou robótica) é o padrão-ouro para a maioria dos feocromocitomas adrenais benignos. Ela oferece menor dor pós-operatória, recuperação mais rápida e menor manipulação direta do tumor, o que pode reduzir a liberação intraoperatória de catecolaminas em comparação com a técnica aberta. A cirurgia aberta é reservada para tumores muito grandes (>6-8 cm) ou com suspeita clara de invasão local (malignidade).

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