HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026
Paciente com feocromocitoma que será submetido a cirurgia necessita de preparo em qual sequência?
Preparo Feocromocitoma: 1º Bloqueio Alfa → 2º Bloqueio Beta (Evitar α-estimulação isolada).
O bloqueio alfa-adrenérgico deve preceder o beta-adrenérgico para evitar vasoconstrição periférica grave e crise hipertensiva por ação alfa sem oposição.
O feocromocitoma é um tumor produtor de catecolaminas derivado das células cromafins da medula adrenal. O manejo pré-operatório é crítico para reduzir a morbimortalidade perioperatória, que historicamente era alta devido a instabilidades hemodinâmicas severas durante a manipulação do tumor. A regra de ouro é o bloqueio adrenérgico sequencial. Primeiro, institui-se o bloqueio alfa para expandir o volume intravascular (que costuma estar contraído pela vasoconstrição crônica) e controlar a hipertensão. O sucesso do bloqueio alfa é evidenciado por uma leve hipotensão ortostática. Somente após a estabilização alfa é que o bloqueio beta é considerado para manejar taquiarritmias. Além do bloqueio farmacológico, recomenda-se uma dieta rica em sódio e hidratação vigorosa nos dias que antecedem a cirurgia para evitar o colapso circulatório após a remoção do tumor e a queda abrupta dos níveis de catecolaminas.
O feocromocitoma secreta grandes quantidades de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina). Se iniciarmos um bloqueio beta-adrenérgico primeiro, bloqueamos os receptores beta-2 (que promovem vasodilatação), deixando os receptores alfa-1 (que promovem vasoconstrição) agindo sozinhos. Isso causa um aumento maciço da resistência vascular periférica e uma crise hipertensiva potencialmente fatal.
O padrão-ouro histórico é a fenoxibenzamina, um bloqueador alfa não seletivo e irreversível. No entanto, bloqueadores alfa-1 seletivos, como a doxazosina ou prazosina, são frequentemente utilizados devido ao melhor perfil de efeitos colaterais (menos taquicardia reflexa e hipotensão postural).
O bloqueio beta é adicionado apenas após 7 a 14 dias de bloqueio alfa efetivo, e somente se o paciente apresentar taquicardia persistente ou arritmias. Ele nunca deve ser usado isoladamente. O objetivo é controlar a frequência cardíaca após a estabilização da pressão arterial pelo bloqueio alfa.
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