Feocromocitoma e MEN2A: Diagnóstico e Exames Essenciais

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 35 anos, procura atendimento referindo episódios recorrentes de cefaleia, sudorese e palpitação. Portadora de hipertensão arterial de difícil controle, mesmo em uso de anlodipina 10 mg/dia, losartana 100 mg/dia e hidroclorotiazida 25 mg/dia. Está muito preocupada, pois fez uma tomografia de abdome que mostrou uma massa na adrenal direita. Refere ter sido submetida a tireoidectomia total há 3 anos, por um carcinoma medular da tireoide. Diante do caso, quais exames seriam interessantes para o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Aldosterona sérica e cortisol sérico matinal.
  2. B) Cálcio sérico e metanefrinas urinárias.
  3. C) Cobre urinário e atividade de renina plasmática.
  4. D) Ureia e magnésio sérico.

Pérola Clínica

Hipertensão refratária + massa adrenal + CMT → suspeitar feocromocitoma/MEN2A; investigar metanefrinas e cálcio.

Resumo-Chave

A presença de hipertensão refratária, massa adrenal e histórico de carcinoma medular de tireoide (CMT) é altamente sugestiva de Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2A (MEN2A), que inclui feocromocitoma e hiperparatireoidismo. A investigação deve focar na dosagem de metanefrinas (para feocromocitoma) e cálcio sérico (para hiperparatireoidismo).

Contexto Educacional

O feocromocitoma é um tumor raro das células cromafins da medula adrenal, que produz e secreta catecolaminas, causando hipertensão arterial, palpitações, sudorese e cefaleia. Sua importância clínica reside na possibilidade de ser curável e na associação com síndromes genéticas, como a Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2A (MEN2A), que também inclui o carcinoma medular de tireoide (CMT) e o hiperparatireoidismo primário. A suspeita deve ser alta em pacientes jovens com hipertensão refratária ou com histórico familiar de CMT. O diagnóstico do feocromocitoma é bioquímico, através da dosagem de metanefrinas e normetanefrinas plasmáticas ou urinárias de 24 horas. A presença de um CMT prévio no histórico do paciente é um forte indicativo para investigar feocromocitoma e hiperparatireoidismo (com cálcio sérico), mesmo na ausência de sintomas clássicos, devido à alta prevalência dessas associações na MEN2A. A imagem da massa adrenal é um achado que corrobora a suspeita, mas não é diagnóstica por si só. O tratamento do feocromocitoma é cirúrgico, mas exige preparo pré-operatório com bloqueio alfa-adrenérgico para evitar crises hipertensivas. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações cardiovasculares graves. Para residentes, é fundamental reconhecer os padrões de apresentação das síndromes genéticas endócrinas para uma abordagem diagnóstica completa e eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais exames solicitar para suspeita de feocromocitoma?

Para suspeita de feocromocitoma, os exames mais indicados são as metanefrinas fracionadas plasmáticas ou urinárias de 24 horas. Estes são os testes de triagem com maior sensibilidade e especificidade para detectar o excesso de catecolaminas.

Qual a relação entre feocromocitoma e carcinoma medular de tireoide?

Feocromocitoma e carcinoma medular de tireoide (CMT) são componentes da Síndrome de Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2A (MEN2A), uma condição genética. A presença de um deve sempre levar à investigação do outro, além do hiperparatireoidismo primário.

Como o hiperparatireoidismo se manifesta na MEN2A e como é diagnosticado?

O hiperparatireoidismo na MEN2A geralmente é primário e se manifesta com hipercalcemia. O diagnóstico é feito pela dosagem de cálcio sérico total e ionizado, juntamente com o paratormônio (PTH) intacto, que estará elevado ou inapropriadamente normal.

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