UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Homem, 50a, procura atendimento em Unidade de Emergência por dor torácica associada a palpitações, tremores e sudorese. Refere episódios prévios semelhantes. Exame físico: PA= 222x124 mmHg; FC= 122 bpm; sudoreico; tremor de extremidades. Fundo de olho: cruzamentos patológicos e papila nítida. ECG: sobrecarga de ventrículo esquerdo. Troponina: normal. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
Feocromocitoma → tríade clássica: palpitações, sudorese, cefaleia (ou tremores) + hipertensão paroxística.
A presença de hipertensão grave e paroxística, associada a sintomas como palpitações, tremores e sudorese, é altamente sugestiva de feocromocitoma. Embora a dor torácica possa ocorrer, a troponina normal e a história de episódios prévios reforçam a hipótese de uma crise adrenérgica.
O feocromocitoma é um tumor raro, geralmente benigno, das células cromafins da medula adrenal, que secreta catecolaminas (adrenalina, noradrenalina, dopamina). Sua importância clínica reside na capacidade de causar hipertensão grave e potencialmente fatal, crises adrenérgicas e complicações cardiovasculares. É crucial para o residente reconhecer seus sinais para um diagnóstico precoce e manejo adequado, evitando morbimortalidade significativa. A fisiopatologia envolve a liberação excessiva e intermitente de catecolaminas, resultando em vasoconstrição, taquicardia e aumento da contratilidade miocárdica. A suspeita diagnóstica surge em pacientes com hipertensão refratária, paroxística, ou associada a sintomas como palpitações, sudorese, cefaleia e tremores. O diagnóstico é confirmado por exames bioquímicos (metanefrinas urinárias ou plasmáticas) e localização do tumor por imagem (TC ou RM). O tratamento definitivo é cirúrgico, com adrenalectomia. Antes da cirurgia, é essencial um preparo com bloqueio alfa-adrenérgico por 10-14 dias para controlar a pressão arterial e prevenir complicações intraoperatórias. O prognóstico é bom se o tumor for ressecado completamente, mas o acompanhamento é necessário devido ao risco de recorrência ou metástases em casos malignos.
Os sintomas clássicos incluem a tríade de palpitações, sudorese e cefaleia, frequentemente acompanhados de hipertensão paroxística grave, tremores, ansiedade e dor torácica. Esses episódios podem ser desencadeados por estresse, exercícios ou certos medicamentos.
O diagnóstico laboratorial envolve a dosagem de metanefrinas e normetanefrinas plasmáticas livres ou metanefrinas fracionadas na urina de 24 horas. Exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância magnética do abdome são usados para localizar o tumor adrenal.
O manejo inicial envolve o controle da pressão arterial com bloqueadores alfa-adrenérgicos (ex: fentolamina, fenoxibenzamina) antes de iniciar beta-bloqueadores, para evitar uma crise hipertensiva exacerbada pela vasoconstrição alfa-mediada sem oposição. A cirurgia é o tratamento definitivo.
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