Feocromocitoma: Diagnóstico e Suspeita Clínica

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, de 25 anos de idade, comparece em consulta na Atenção Primária por dor de cabeça lancinante, sudorese e palpitações intensas que ocorrem de forma episódica. Esses episódios começaram há cerca de 1 ano e têm se tornado mais frequentes. Tem antecedente de hipertensão arterial sistêmica diagnosticada há 3 anos e está em uso de anlodipina 10mg/dia e hidroclorotiazida 25mg/dia. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 180x110mmHg e frequência cardíaca de 115bpm durante um dos episódios. O paciente também menciona que tem se sentido mais ansioso e que perdeu peso recentemente. Qual é a conduta correta para o manejo da hipertensão e dos sintomas apresentados pelo paciente?

Alternativas

  1. A) Solicitar dosagem de catecolaminas e metanefrinas urinárias e encaminhar para avaliação de feocromocitoma.
  2. B) Aumentar a dose de anlodipina para 20mg/dia e reavaliar a pressão arterial em 2 semanas.
  3. C) Prescrever enalapril 20mg/dia e recomendar prática de técnicas de relaxamento.
  4. D) Solicitar uma ultrassonografia abdominal para investigar estenose da artéria renal.
  5. E) Encaminhar o paciente para avaliação com psiquiatra pela hipótese de transtorno de ansiedade.

Pérola Clínica

Hipertensão refratária + tríade (cefaleia, sudorese, palpitação) + jovem = Feocromocitoma → Catecolaminas/metanefrinas.

Resumo-Chave

A tríade clássica de cefaleia, sudorese e palpitações em um paciente jovem com hipertensão refratária ou de difícil controle é altamente sugestiva de feocromocitoma, um tumor produtor de catecolaminas, exigindo investigação laboratorial específica.

Contexto Educacional

O feocromocitoma é um tumor raro, geralmente benigno, que se origina nas células cromafins da medula adrenal e secreta catecolaminas. É uma causa importante de hipertensão secundária, especialmente em pacientes jovens ou com hipertensão refratária ao tratamento convencional. A suspeita clínica é crucial para o diagnóstico precoce e manejo adequado, evitando complicações cardiovasculares graves. A apresentação clínica clássica do feocromocitoma é a tríade de cefaleia, sudorese e palpitações, frequentemente em episódios paroxísticos, acompanhados de hipertensão arterial. Outros sintomas podem incluir ansiedade, perda de peso e dor torácica ou abdominal. O diagnóstico laboratorial envolve a dosagem de metanefrinas plasmáticas livres ou metanefrinas e catecolaminas fracionadas em urina de 24 horas, seguidos por exames de imagem (TC ou RM abdominal) para localizar o tumor. O manejo inicial da hipertensão em pacientes com suspeita de feocromocitoma requer bloqueio alfa-adrenérgico antes do bloqueio beta-adrenérgico para evitar uma crise hipertensiva. O tratamento definitivo é cirúrgico, com a remoção do tumor. Residentes devem estar atentos a essa condição, pois o atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a morbidade e mortalidade significativas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos do feocromocitoma?

A tríade clássica do feocromocitoma inclui cefaleia (dor de cabeça), sudorese profusa e palpitações, frequentemente acompanhadas de hipertensão arterial paroxística ou sustentada e ansiedade.

Quais exames devem ser solicitados para investigar feocromocitoma?

Para investigar feocromocitoma, devem ser solicitadas dosagens de metanefrinas plasmáticas livres ou metanefrinas e catecolaminas fracionadas em urina de 24 horas.

Por que o feocromocitoma causa hipertensão e outros sintomas?

O feocromocitoma é um tumor que secreta catecolaminas (adrenalina, noradrenalina), que são hormônios que causam vasoconstrição, aumento da frequência cardíaca e da contratilidade miocárdica, resultando em hipertensão, palpitações, sudorese e cefaleia.

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