FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Seu paciente de 2 meses está em aleitamento materno com ganho de peso ponderal adequado, porém a mãe queixa de intensa dor em fisgada durante e após as mamadas, com mudança de coloração dos mamilos após as mamadas e piora da dor quando esfria. Exame físico do lactente sem alterações. Qual a principal hipótese diagnóstica e conduta?
Dor em fisgada + mamilo pálido/cianótico após mamada + frio = Fenômeno de Raynaud.
O fenômeno de Raynaud no mamilo é um vasoespasmo doloroso desencadeado pelo frio ou trauma, diferenciando-se da candidíase pela alteração de cor característica.
O fenômeno de Raynaud mamilar é uma causa subdiagnosticada de dor na amamentação que pode levar ao desmame precoce. Ocorre devido a um vasoespasmo excessivo das arteríolas, reduzindo o fluxo sanguíneo para o mamilo. Pode ser primário ou secundário a traumas mamilares, infecções ou doenças autoimunes. É fundamental que o médico examine o mamilo imediatamente após a mamada para observar a mudança de cor. O manejo correto evita tratamentos desnecessários com antifúngicos ou antibióticos. Além da nifedipina, o uso de magnésio e complexo B tem sido relatado como adjuvante por alguns especialistas, embora a evidência principal suporte as medidas de aquecimento e os bloqueadores de canais de cálcio.
O diagnóstico é clínico, baseado na tríade: dor intensa em fisgada ou queimação (durante ou após a mamada), alteração de coloração do mamilo (palidez seguida de cianose e/ou eritema - fenômeno bifásico ou trifásico) e precipitação pelo frio. É comum que a dor piore quando o bebê solta a mama e o mamilo é exposto ao ar ambiente mais frio. Diferencia-se da candidíase porque nesta a dor é constante e não há alteração circulatória típica de vasoespasmo.
O tratamento inicial foca em medidas não farmacológicas: manter as mamas aquecidas, usar compressas mornas secas logo após a mamada, evitar exposição ao frio e corrigir possíveis falhas na pega que causem trauma mecânico (gatilho para o vasoespasmo). Deve-se orientar a mãe a evitar cafeína e tabagismo, que são vasoconstritores. Se as medidas conservadoras falharem e a dor for incapacitante, o uso de nifedipina (bloqueador de canal de cálcio) pode ser indicado.
Sim, a nifedipina é considerada compatível com a amamentação. Ela é excretada no leite materno em quantidades muito pequenas, insuficientes para causar efeitos hemodinâmicos no lactente. Geralmente, utiliza-se a formulação de liberação prolongada para minimizar efeitos colaterais maternos, como cefaleia, tontura ou hipotensão. O tratamento costuma durar de 2 a 4 semanas, com desmame gradual da medicação conforme a melhora dos sintomas.
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