CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
Pacientes com defeitos campimétricos bitemporais por tumores quiasmáticos podem apresentar sintomas associados. Neste contexto, a deficiência de estereopsia e presença de duplicação das imagens caracterizam um fenômeno denominado:
Hemianopsia bitemporal + Perda de fusão binocular = Fenômeno do deslizamento de hemicampo.
Em lesões quiasmáticas, a perda dos campos visuais temporais impede que as áreas nasais remanescentes da retina criem uma imagem fundida, causando instabilidade ocular e diplopia.
O quiasma óptico é o local onde as fibras das hemirretinas nasais (responsáveis pelo campo visual temporal) se cruzam. Compressões nessa região, classicamente por adenomas hipofisários, craniofaringiomas ou meningiomas, resultam em hemianopsia bitemporal. A visão binocular normal depende da integração de imagens de ambos os olhos em áreas corticais correspondentes. Quando a visão temporal é perdida em ambos os olhos, o mecanismo de fusão sensorial é quebrado. Sem pontos de referência comuns nos campos temporais para 'travar' o alinhamento ocular, os olhos podem divergir ou convergir ligeiramente. Isso faz com que os dois campos nasais remanescentes não se alinhem perfeitamente no cérebro, levando a uma diplopia que não é causada por fraqueza muscular, mas por falha na integração sensorial central.
Ele ocorre em pacientes com hemianopsia bitemporal completa. Como os campos visuais temporais estão ausentes, não há sobreposição de áreas visuais que permita a fusão binocular. Os dois hemicampos nasais remanescentes 'deslizam' um em relação ao outro devido a pequenas heteroforias preexistentes, causando diplopia e perda de estereopsia.
O paciente geralmente relata que as imagens parecem se separar ou se sobrepor de forma instável, especialmente ao ler ou focar em objetos próximos. Eles perdem a percepção de profundidade (estereopsia) e podem ver partes de palavras desaparecendo ou se duplicando horizontal ou verticalmente.
O fenômeno de Marcus Gunn refere-se ao Defeito Pupilar Aferente Relativo (DPAR), indicando uma lesão unilateral ou assimétrica do nervo óptico detectada pelo teste de luz alternada. Já o deslizamento de hemicampo é um distúrbio da visão binocular decorrente da perda de campos visuais periféricos.
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