Fenômeno do Deslizamento de Hemicampo em Lesões Quiasmáticas

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015

Enunciado

Pacientes com defeitos campimétricos bitemporais por tumores quiasmáticos podem apresentar sintomas associados. Neste contexto, a deficiência de estereopsia e presença de duplicação das imagens caracterizam um fenômeno denominado:

Alternativas

  1. A) Fenômeno do deslizamento de hemicampo.
  2. B) Fenômeno de soma dos campos.
  3. C) Fenômeno de Marcus Gunn.
  4. D) Fenômeno de Willbrand.

Pérola Clínica

Hemianopsia bitemporal + Perda de fusão binocular = Fenômeno do deslizamento de hemicampo.

Resumo-Chave

Em lesões quiasmáticas, a perda dos campos visuais temporais impede que as áreas nasais remanescentes da retina criem uma imagem fundida, causando instabilidade ocular e diplopia.

Contexto Educacional

O quiasma óptico é o local onde as fibras das hemirretinas nasais (responsáveis pelo campo visual temporal) se cruzam. Compressões nessa região, classicamente por adenomas hipofisários, craniofaringiomas ou meningiomas, resultam em hemianopsia bitemporal. A visão binocular normal depende da integração de imagens de ambos os olhos em áreas corticais correspondentes. Quando a visão temporal é perdida em ambos os olhos, o mecanismo de fusão sensorial é quebrado. Sem pontos de referência comuns nos campos temporais para 'travar' o alinhamento ocular, os olhos podem divergir ou convergir ligeiramente. Isso faz com que os dois campos nasais remanescentes não se alinhem perfeitamente no cérebro, levando a uma diplopia que não é causada por fraqueza muscular, mas por falha na integração sensorial central.

Perguntas Frequentes

O que causa o fenômeno do deslizamento de hemicampo?

Ele ocorre em pacientes com hemianopsia bitemporal completa. Como os campos visuais temporais estão ausentes, não há sobreposição de áreas visuais que permita a fusão binocular. Os dois hemicampos nasais remanescentes 'deslizam' um em relação ao outro devido a pequenas heteroforias preexistentes, causando diplopia e perda de estereopsia.

Como o paciente descreve os sintomas deste fenômeno?

O paciente geralmente relata que as imagens parecem se separar ou se sobrepor de forma instável, especialmente ao ler ou focar em objetos próximos. Eles perdem a percepção de profundidade (estereopsia) e podem ver partes de palavras desaparecendo ou se duplicando horizontal ou verticalmente.

Qual a diferença entre este fenômeno e o de Marcus Gunn?

O fenômeno de Marcus Gunn refere-se ao Defeito Pupilar Aferente Relativo (DPAR), indicando uma lesão unilateral ou assimétrica do nervo óptico detectada pelo teste de luz alternada. Já o deslizamento de hemicampo é um distúrbio da visão binocular decorrente da perda de campos visuais periféricos.

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