CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020
Paciente é submetido a tratamento cirúrgico de descolamento de retina regmatogênico com rotura única. No primeiro dia pós-operatório, observa-se manutenção do descolamento de retina associado a rotura em âboca de peixeâ. Com base nos dados apresentados, qual a causa mais provável do insucesso neste caso?
Rotura em 'boca de peixe' pós-op → Falha no selamento por tração ou fluido/PFC sub-retiniano.
O fenômeno de 'boca de peixe' ocorre quando uma rotura retiniana permanece aberta e arqueada, impedindo a reaplicação da retina, muitas vezes devido à presença de substâncias no espaço sub-retiniano.
O sucesso da cirurgia de descolamento de retina regmatogênico depende do fechamento permanente de todas as roturas retinianas. O fenômeno de 'boca de peixe' é uma complicação mecânica frustrante onde a rotura assume uma configuração convexa em relação à coróide. A presença de perfluorcarbono líquido (PFC) no espaço sub-retiniano é uma complicação conhecida da vitrectomia. O PFC é altamente biocompatível, mas sua presença física impede a aposição tecidual. Além disso, se deixado a longo prazo, pode causar toxicidade retiniana mecânica e inflamatória. O reconhecimento precoce dessa falha no primeiro dia pós-operatório é essencial para a reintervenção oportuna.
O fenômeno de boca de peixe ocorre quando uma rotura retiniana, em vez de se achatar contra a coróide após o tratamento (como introflexão escleral ou vitrectomia), permanece aberta com as bordas arqueadas. Isso pode ser causado por tração vítrea persistente, acúmulo de gás ou fluido sub-retiniano, ou a presença inadvertida de perfluorcarbono líquido (PFC) sob a retina, que atua como um calço impedindo o fechamento.
O perfluorcarbono líquido é usado para estabilizar a retina durante a vitrectomia. Se ele migrar para o espaço sub-retiniano através de uma rotura, ele impede que a retina se reaplique à coróide. Como o PFC é mais denso que o fluido sub-retiniano, ele se deposita nas áreas mais baixas, mantendo a rotura aberta (boca de peixe) e impedindo a formação da cicatriz coriorretiniana pelo laser ou crioterapia.
O tratamento depende da causa. Se for tração vítrea, pode ser necessária uma vitrectomia adicional ou ajuste do indentador escleral. Se houver PFC sub-retiniano, ele deve ser removido cirurgicamente, geralmente através de uma pequena retinotomia ou pela própria rotura original, seguido de troca fluido-gasosa para garantir que a retina permaneça colada.
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