Fenômeno de Boca de Peixe no Descolamento de Retina

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020

Enunciado

Paciente é submetido a tratamento cirúrgico de descolamento de retina regmatogênico com rotura única. No primeiro dia pós-operatório, observa-se manutenção do descolamento de retina associado a rotura em “boca de peixe”. Com base nos dados apresentados, qual a causa mais provável do insucesso neste caso?

Alternativas

  1. A) Presença de perfluorcarbono sub-retiniano.
  2. B) Presença de perfluorcarbono sub-retiniano.
  3. C) Cavidade vítrea parcialmente preenchida com óleo de silicone.
  4. D) Fotocoagulação a laser insuficiente na área da rotura.

Pérola Clínica

Rotura em 'boca de peixe' pós-op → Falha no selamento por tração ou fluido/PFC sub-retiniano.

Resumo-Chave

O fenômeno de 'boca de peixe' ocorre quando uma rotura retiniana permanece aberta e arqueada, impedindo a reaplicação da retina, muitas vezes devido à presença de substâncias no espaço sub-retiniano.

Contexto Educacional

O sucesso da cirurgia de descolamento de retina regmatogênico depende do fechamento permanente de todas as roturas retinianas. O fenômeno de 'boca de peixe' é uma complicação mecânica frustrante onde a rotura assume uma configuração convexa em relação à coróide. A presença de perfluorcarbono líquido (PFC) no espaço sub-retiniano é uma complicação conhecida da vitrectomia. O PFC é altamente biocompatível, mas sua presença física impede a aposição tecidual. Além disso, se deixado a longo prazo, pode causar toxicidade retiniana mecânica e inflamatória. O reconhecimento precoce dessa falha no primeiro dia pós-operatório é essencial para a reintervenção oportuna.

Perguntas Frequentes

O que causa o fenômeno de 'boca de peixe' na retina?

O fenômeno de boca de peixe ocorre quando uma rotura retiniana, em vez de se achatar contra a coróide após o tratamento (como introflexão escleral ou vitrectomia), permanece aberta com as bordas arqueadas. Isso pode ser causado por tração vítrea persistente, acúmulo de gás ou fluido sub-retiniano, ou a presença inadvertida de perfluorcarbono líquido (PFC) sob a retina, que atua como um calço impedindo o fechamento.

Como o perfluorcarbono sub-retiniano afeta o sucesso cirúrgico?

O perfluorcarbono líquido é usado para estabilizar a retina durante a vitrectomia. Se ele migrar para o espaço sub-retiniano através de uma rotura, ele impede que a retina se reaplique à coróide. Como o PFC é mais denso que o fluido sub-retiniano, ele se deposita nas áreas mais baixas, mantendo a rotura aberta (boca de peixe) e impedindo a formação da cicatriz coriorretiniana pelo laser ou crioterapia.

Como tratar uma rotura em boca de peixe no pós-operatório?

O tratamento depende da causa. Se for tração vítrea, pode ser necessária uma vitrectomia adicional ou ajuste do indentador escleral. Se houver PFC sub-retiniano, ele deve ser removido cirurgicamente, geralmente através de uma pequena retinotomia ou pela própria rotura original, seguido de troca fluido-gasosa para garantir que a retina permaneça colada.

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