CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2012
A figura ilustra:
Fendas de Tessier = Classificação numérica (0-14) baseada na posição anatômica em relação à órbita e boca.
A classificação de Tessier é o sistema padrão para descrever fendas faciais raras, numerando-as de 0 a 14 de acordo com seu trajeto em relação aos eixos orbitais e orais, facilitando o planejamento cirúrgico reconstrutivo.
Paul Tessier, considerado o pai da cirurgia craniofacial moderna, desenvolveu esta classificação em 1976 para organizar defeitos que não seguiam os padrões das fendas labiopalatinas comuns. As fendas resultam de falhas na fusão dos processos embrionários faciais ou de bandas amnióticas. Para o oftalmologista, o reconhecimento dessas fendas é vital, pois elas frequentemente se associam a colobomas palpebrais, distopia ocular, hipertelorismo e anomalias do sistema lacrimal, exigindo múltiplas intervenções reconstrutivas para proteção da superfície ocular e reabilitação estética.
A classificação de Tessier utiliza a órbita como ponto central de referência. As fendas são numeradas de 0 a 14. As fendas de 0 a 7 são consideradas fendas 'faciais' (abaixo da órbita), enquanto as fendas de 8 a 14 são fendas 'cranianas' (acima da órbita). Frequentemente, uma fenda facial tem uma contraparte craniana correspondente; por exemplo, a fenda 3 (naso-ocular) pode estar associada à fenda 11. A soma das fendas correspondentes geralmente resulta em 14 (ex: 3+11, 4+10).
A fenda de Tessier número 7 é a fenda facial mais comum e representa a macrosomia (boca larga). Ela se estende da comissura labial em direção à orelha, podendo envolver o osso zigomático e a mandíbula. É frequentemente encontrada em síndromes como a microssomia hemifacial e a síndrome de Goldenhar. Diferente das fendas centrais, a fenda 7 afeta as estruturas derivadas do primeiro e segundo arcos branquiais.
As fendas 3, 4 e 5 são as que mais impactam a região orbitopalpebral inferior. A fenda 3 (naso-ocular) afeta o canalículo lacrimal e a asa do nariz. A fenda 4 atravessa a pálpebra inferior medialmente ao ponto lacrimal, e a fenda 5 atravessa a pálpebra inferior lateralmente. Na região superior, as fendas 10, 11 e 12 causam colobomas de pálpebra superior e defeitos no supercílio e teto da órbita.
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