Fechamento de Laparotomia: Técnicas e Fios Ideais

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 70 anos, obeso, com diverticulite e peritonite generalizada, foi submetido a uma laparotomia exploradora. Após o tempo cirúrgico principal, com revisão de hemostasia realizada por meio de uma incisão mediana ampliada, a equipe deverá realizar a síntese da incisão e, para tanto, deverá realizar as suturas dos componentes anatômicos da parede anterior do abdome. A sequência de suturas mais indicada nesta situação deverá ser:

Alternativas

  1. A) Peritônio: sutura contínua ancorada com fio Catgut cromado/sutura muscular com pontos separados em “U”/sutura pele com Poliéster com pontos simples.
  2. B) Linha alba: sutura chuleio contínuo com fio Polidioxanona/sutura subcutâneo com pontos separados com fio Catgut simples/ sutura pele com fio Mononylon, pontos Donatti.
  3. C) Peritônio: sutura em pontos separados com fio poliéster trançado/sutura muscular com chuleio contínuo ancorado/sutura pele com Monocryl com pontos simples.
  4. D) Linha alba: sutura contínua com fio Categute cromado/sutura subcutâneo com pontos separados com fio Algodão/ sutura pele com fio Mononylon, pontos simples invertidos.
  5. E) Fechamento em plano único (“Mash Closure”) com sutura em pontos separados, empregando-se fio Ácido Poliglicóico forte, com uso de tela de polipropileno.

Pérola Clínica

Fechamento de laparotomia: linha alba com fio absorvível de longa duração (PDS) em chuleio contínuo, pele com Mononylon.

Resumo-Chave

A escolha do fio e da técnica de sutura é crucial para prevenir complicações como deiscência e hérnia incisional. Fios absorvíveis de longa duração (PDS) são preferíveis para a linha alba em sutura contínua, enquanto a pele geralmente se beneficia de fios inabsorvíveis (Mononylon) com pontos que evitam tensão excessiva.

Contexto Educacional

O fechamento adequado da parede abdominal após laparotomia é um pilar fundamental da cirurgia, visando restaurar a integridade anatômica e funcional, além de prevenir complicações pós-operatórias. A escolha da técnica e dos materiais de sutura deve considerar fatores como o tipo de incisão, o risco de infecção e as características do paciente, sendo crucial para o sucesso do procedimento e a recuperação do paciente. A linha alba, estrutura aponeurótica central, requer um fio de sutura com boa resistência tênsil e absorção lenta, como a Polidioxanona (PDS), preferencialmente em sutura contínua, para distribuir a tensão uniformemente e minimizar o risco de hérnias incisionais. O subcutâneo pode ser aproximado com fios absorvíveis de curta duração, como o Catgut simples, para obliterar espaços mortos e reduzir o risco de seroma e infecção. A pele, por sua vez, pode ser fechada com fios inabsorvíveis, como o Mononylon, em pontos separados (ex: Donatti, simples) para uma boa coaptação das bordas e um resultado estético favorável, com remoção posterior dos pontos. A compreensão detalhada das propriedades dos fios cirúrgicos (absorvíveis vs. inabsorvíveis, monofilamentares vs. multifilamentares) e das diferentes técnicas de sutura é indispensável para o residente. A prática correta minimiza o risco de deiscência, infecção de sítio cirúrgico e hérnias, impactando diretamente a morbidade e a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual o fio ideal para sutura da linha alba em laparotomia?

Para a linha alba, recomenda-se um fio absorvível de longa duração, como a Polidioxanona (PDS), em sutura contínua, devido à sua resistência tênsil prolongada e menor risco de hérnia incisional.

Quais as técnicas de sutura mais indicadas para a pele em cirurgia abdominal?

Para a pele, fios inabsorvíveis como o Mononylon são preferíveis. Pontos separados, como os pontos Donatti ou simples, são comumente utilizados para uma boa coaptação das bordas e resultado estético, com remoção posterior.

Como prevenir deiscência de ferida operatória abdominal?

A prevenção da deiscência envolve a escolha correta do fio e da técnica de sutura, evitando tensão excessiva, controlando infecções, otimizando o estado nutricional do paciente e manejando adequadamente fatores de risco como obesidade e tosse crônica.

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