Fechamento de Feridas: Técnicas e Manejo de Feridas Sujas

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

As tentativas de restaurar a integridade mecânica, reparar as barreiras à perda de fluidos e infecções e restabelecer os padrões normais de fluxo sanguíneo e linfático são chamadas de reparo de feridas e o cirurgião possui papel fundamental neste processo. Sobre o fechamento de feridas, analise as assertivas abaixo classificando-as em Verdadeiro (V) ou Falso (F): (. ) O fechamento primário retardado pode ser adequado para pacientes selecionados após cirurgias contaminadas e comumente visado entre 2 e 5 dias após a operação inicial. ( ) O fechamento primário das incisões pode utilizar a sutura permanente ou absorvível usando técnicas de sutura contínua ou interrompida. ( ) As técnicas de sutura contínua são mais eficazes no controle da ascite, enquanto a sutura interrompida permite a compressão intermitente da ferida para incisões em alto risco de ISC superficial. ( ) O fechamento primário de feridas francamente contaminadas pode ocorrer com técnicas de sutura contínua a partir da lavagem exaustiva do ferimento e aplicação tópica de antimicrobiano. ( ) As feridas cirúrgicas sujas, altamente contaminadas, devem ser deixadas abertas, permitindo a cicatrização por segunda intenção com tamponamento em série.

Alternativas

  1. A) F-F-V-V-F.
  2. B) F-V-F-V-V.
  3. C) V-F-V-V-V.
  4. D) V-V-V-F-V.
  5. E) F-V-F-F-F.

Pérola Clínica

Ferida suja/infectada → Cicatrização por 2ª intenção ou fechamento primário retardado.

Resumo-Chave

O fechamento primário retardado é realizado 3-5 dias após a cirurgia inicial em feridas contaminadas, enquanto feridas sujas devem cicatrizar por segunda intenção.

Contexto Educacional

O reparo de feridas é um processo biológico complexo que exige do cirurgião o conhecimento profundo das fases de cicatrização e dos riscos de infecção. A classificação das feridas em limpas, limpas-contaminadas, contaminadas e sujas dita a estratégia de fechamento. Enquanto feridas limpas permitem fechamento primário com fios absorvíveis ou inabsorvíveis, feridas com carga bacteriana elevada exigem cautela. A técnica de sutura também desempenha papel mecânico: suturas contínuas distribuem a tensão uniformemente e vedam melhor contra ascite, mas um único rompimento compromete toda a extensão. Suturas interrompidas são mais seguras contra deiscências parciais e facilitam o manejo de infecções localizadas. O fechamento primário retardado surge como uma técnica intermediária valiosa para otimizar o resultado estético sem sacrificar a segurança biológica do paciente.

Perguntas Frequentes

Quando indicar o fechamento primário retardado?

O fechamento primário retardado, ou por terceira intenção, é indicado em feridas com alto grau de contaminação bacteriana ou tecido desvitalizado, onde o risco de infecção de sítio cirúrgico (ISC) é elevado se o fechamento for imediato. O procedimento envolve desbridamento inicial, lavagem exaustiva e curativos seriados por 3 a 5 dias. Durante esse intervalo, observa-se a formação de tecido de granulação saudável e a ausência de sinais flogísticos. Se a ferida estiver limpa após esse período, realiza-se a sutura. Essa técnica combina a segurança da cicatrização por segunda intenção com os resultados estéticos e funcionais do fechamento primário, sendo fundamental em cirurgias de trauma abdominal ou peritonites graves onde a síntese imediata da pele poderia resultar em abscesso subcutâneo.

Qual a diferença entre sutura contínua e interrompida no controle de fluidos?

As técnicas de sutura contínua são geralmente mais eficazes na criação de uma vedação hermética, sendo preferidas em situações onde o controle de vazamento de fluidos, como a ascite, é prioritário. Por outro lado, a sutura interrompida (pontos separados) permite uma distribuição de tensão diferente e, crucialmente, possibilita a drenagem intermitente de fluidos ou exsudatos entre os pontos, o que é vantajoso em incisões com alto risco de infecção superficial ou coleção serossanguinolenta. A escolha depende do equilíbrio entre a necessidade de vedação e a necessidade de permitir que a ferida 'respire' ou drene pequenas coleções sem comprometer toda a linha de sutura.

Como manejar feridas cirúrgicas classificadas como sujas?

Feridas cirúrgicas sujas ou infectadas (como aquelas decorrentes de perfuração de vísceras com fezes ou pus) não devem ser submetidas ao fechamento primário da pele e do tecido subcutâneo. A conduta padrão é deixá-las abertas para cicatrização por segunda intenção, utilizando tamponamento com gazes úmidas e trocas frequentes de curativo. Esse processo permite que o tecido de granulação preencha a cavidade de baixo para cima, eliminando o espaço morto e permitindo a drenagem contínua de detritos e bactérias. Em casos selecionados, após a limpeza completa da ferida e aparecimento de tecido de granulação exuberante, pode-se considerar um fechamento tardio, mas a cicatrização por segunda intenção permanece a via mais segura para evitar sepse de foco abdominal ou de parede.

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