UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Homem, 75a, é trazido ao pronto socorro por parada de eliminação das fezes há 10 dias e aumento do volume abdominal, mantendo eliminação de gases. Nega febre, náuseas, vômitos, sintomas respiratórios ou urinários. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial, depressão e etilismo (ingesta diária de destilados). Medicações em uso: losartana, hidroclorotiazida e amitriptilina. Exame físico: regular estado geral, corado, desidratado, anictérico. Ausculta cardíaca e respiratória sem alterações. Abdome: distendido, com ruídos hidroaéreos presentes e doloroso a palpação profunda difusamente, sem sinais de irritação peritoneal. Toque retal com fecaloma. Na percussão há presença de macicez nos flancos e ausência do sinal da macicez móvel quando o paciente é colocado em decúbito lateral.A CONDUTA TERAPÊUTICA INICIAL É:
Fecaloma em idoso com distensão abdominal e RHA presentes → desimpactação manual e hidratação como conduta inicial.
A presença de fecaloma ao toque retal em um paciente idoso com constipação prolongada e distensão abdominal, mesmo com ruídos hidroaéreos presentes, indica a necessidade de desimpactação. A amitriptilina é um fator de risco importante para constipação. A ausência de macicez móvel descarta ascite, direcionando para a impactação.
O fecaloma é uma condição comum em idosos, especialmente aqueles com comorbidades, polifarmácia (como o uso de amitriptilina, um antidepressivo tricíclico com efeitos anticolinérgicos) e desidratação. Sua importância clínica reside no potencial de causar obstrução intestinal, isquemia colônica e perfuração, se não tratado adequadamente. A apresentação pode ser insidiosa, com constipação crônica, ou aguda, com dor e distensão abdominal. A fisiopatologia envolve a estase fecal prolongada, que leva à desidratação das fezes e formação de uma massa endurecida. O diagnóstico é primariamente clínico, com o toque retal sendo o exame mais importante para confirmar a presença do fecaloma. A ausência de macicez móvel nos flancos, apesar da macicez, sugere que a distensão não é por líquido livre, mas sim por conteúdo sólido ou gasoso. O tratamento inicial visa a desimpactação, que pode ser manual, com enemas ou laxativos osmóticos. Após a desimpactação, é crucial instituir medidas preventivas para evitar recorrências, como aumento da ingesta hídrica, fibras e, se possível, ajuste de medicações que causem constipação. A educação do paciente e cuidadores é fundamental para o manejo a longo prazo.
Fecaloma em idosos é sugerido por constipação prolongada, dor abdominal, distensão abdominal, e, crucialmente, a palpação de massa fecal endurecida ao toque retal. Pode haver eliminação paradoxal de diarreia por transbordamento.
A conduta inicial envolve hidratação, amolecedores de fezes e, frequentemente, desimpactação manual ou com enemas. É importante avaliar e corrigir fatores predisponentes, como medicamentos constipantes.
O toque retal é fundamental para o diagnóstico de fecaloma. A ausência de macicez móvel nos flancos ajuda a descartar ascite. A presença de ruídos hidroaéreos e eliminação de gases sugere que não há obstrução mecânica completa, diferenciando de íleo paralítico ou volvo.
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