Febre Tifoide: Diagnóstico Clínico e Sinais Chave

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Paciente 28 anos com histórico de viagem recente para a África do Sul. Refere ter se alimentado em lugares com baixas condições sanitárias de higiene. Procura o atendimento médico referindo na 2ª semana de doença, febre alta, prostração, diarreia com evacuação de fezes líquidas várias vezes ao dia. Ao exame físico, nota-se icterícia, palidez cutaneomucosa, máculas rosadas não sensíveis em tórax, abdome e dorso. Dor abdominal com aumento de baço e fígado. Bradicardia é notada a palpação do pulso radial apesar da febre. Laboratório - Leucopenia com neutropenia e linfocitose relativa, PCR elevada e aumento de transaminases. O diagnóstico de suspeição é de׃

Alternativas

  1. A) Febre tifóide
  2. B) Malária 
  3. C) Dengue
  4. D) Meningite bacteriana aguda

Pérola Clínica

Febre Tifoide → febre alta, bradicardia relativa, roseola, hepatoesplenomegalia, leucopenia, viagem para área endêmica.

Resumo-Chave

A febre tifoide, causada pela Salmonella Typhi, apresenta um quadro clínico clássico na segunda semana de doença, com febre alta persistente, bradicardia relativa (pulso lento apesar da febre), roseola tifoide (máculas rosadas no tronco), hepatoesplenomegalia e leucopenia com neutropenia. A história de viagem para áreas endêmicas e má higiene alimentar são fatores de risco importantes para suspeição diagnóstica.

Contexto Educacional

A febre tifoide, ou febre entérica, é uma doença sistêmica grave causada pela bactéria Salmonella Typhi, transmitida principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes de indivíduos infectados. É endêmica em muitas partes do mundo, especialmente em regiões com saneamento precário, como a África, Ásia e América Latina. A doença é uma causa significativa de morbidade e mortalidade global, especialmente em crianças e jovens adultos, e sua identificação precoce é crucial para evitar complicações graves. O quadro clínico da febre tifoide evolui em estágios. Na primeira semana, predominam febre progressiva, cefaleia, mal-estar e tosse seca. Na segunda semana, como descrito na questão, surgem sintomas mais característicos: febre alta sustentada, prostração, diarreia (ou constipação), hepatoesplenomegalia, bradicardia relativa e a clássica roseola tifoide (erupção maculopapular transitória). A leucopenia com neutropenia e linfocitose relativa é um achado laboratorial comum, que pode ser contra-intuitivo para uma infecção bacteriana. O diagnóstico de suspeição é clínico-epidemiológico, mas a confirmação requer isolamento da bactéria. Hemoculturas são mais sensíveis na primeira semana, enquanto culturas de fezes e urina são úteis em fases posteriores. O tratamento é feito com antibióticos, como fluoroquinolonas (ciprofloxacino), azitromicina ou ceftriaxona, dependendo da sensibilidade local. Complicações incluem hemorragia e perfuração intestinal, encefalopatia e miocardite. A vacinação está disponível para viajantes e populações de risco, e medidas de higiene são fundamentais para a prevenção.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da febre tifoide na segunda semana de doença?

Na segunda semana, a febre tifoide se manifesta com febre alta persistente, prostração, diarreia líquida (ou constipação inicial), bradicardia relativa, hepatoesplenomegalia e o aparecimento de máculas rosadas não sensíveis no tronco e abdome, conhecidas como roseola tifoide.

O que é bradicardia relativa e por que é um sinal importante na febre tifoide?

Bradicardia relativa é a presença de um pulso mais lento do que o esperado para o grau de febre. É um sinal clássico da febre tifoide, pois a Salmonella Typhi pode afetar o sistema nervoso autônomo, e sua presença em um paciente febril deve levantar forte suspeita para o diagnóstico.

Quais exames laboratoriais auxiliam no diagnóstico da febre tifoide?

Exames laboratoriais podem mostrar leucopenia com neutropenia e linfocitose relativa, aumento de PCR e transaminases. O diagnóstico definitivo é feito pelo isolamento da Salmonella Typhi em culturas de sangue (hemocultura), fezes ou medula óssea.

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