ENARE/ENAMED — Prova 2025
Uma lactente de 18 meses é levada à emergência com história de febre há 2 dias. Quando a temperatura sobe, fica um pouco parada, voltando a ficar bem quando a temperatura se aproxima novamente de 36,5 ºC. O responsável nega outros sintomas. As vacinas estão em dia. Exame físico: sem qualquer alteração. Para que se trace a conduta adequada a essa criança, os quesitos fundamentais a serem avaliados, além da idade, são:
Lactente com febre sem foco + bom estado geral + vacinas em dia → Investigar ITU (Urocultura).
Em lactentes com febre sem sinais localizadores, a Infecção do Trato Urinário (ITU) é a principal causa bacteriana oculta, exigindo avaliação do estado geral e exames específicos.
A abordagem da febre sem sinal localizador (FSL) em lactentes de 3 a 36 meses evoluiu com a introdução das vacinas conjugadas. Atualmente, o foco principal mudou da bacteremia oculta para a detecção de ITU. Para uma lactente de 18 meses com vacinação em dia e bom estado geral, a probabilidade de meningite ou sepse é baixa. No entanto, a prevalência de ITU em meninas nessa idade é significativa. A conduta adequada envolve a coleta de urina (preferencialmente por cateterismo vesical ou punção suprapúbica para cultura) e a observação clínica rigorosa, evitando o uso indiscriminado de antibióticos antes dos resultados laboratoriais.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é a infecção bacteriana grave mais comum em lactentes com febre sem sinal localizador, ocorrendo em até 7-10% dos casos. Como os sintomas são inespecíficos nessa faixa etária (apenas febre, irritabilidade ou baixo ganho ponderal), a urocultura é o único exame capaz de confirmar ou excluir o diagnóstico com segurança.
Lactentes com esquema vacinal completo (especialmente para Pneumococo e Haemophilus influenzae tipo b) apresentam um risco drasticamente reduzido de bacteremia oculta e meningite. Isso permite uma abordagem menos invasiva, focando na triagem urinária em vez de punção lombar ou exames de sangue extensos em crianças com bom estado geral.
O bom estado geral é avaliado pelo Triângulo de Avaliação Pediátrica (TAP), observando a aparência (interatividade, olhar fixo), o trabalho respiratório e a circulação cutânea. Se a criança está alerta, corada, hidratada e brincando quando a febre cede, o risco de uma infecção sistêmica grave é menor, mas não exclui infecções localizadas como a ITU.
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