Manejo da Febre Sem Sinais Localizatórios em Lactentes

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026

Enunciado

Lactente, sexo feminino, com 10 meses de idade, com esquema vacinal completo para a idade (incluindo as duas doses da vacina pneumocócica conjugada 13 valente e Haemophilus influenzae tipo b), é levada ao pronto-socorro com história de febre de 39.2℃ (axilar) há 24 horas. A mãe refere que a criança está irritada, mas consegue mamar bem e interage com o ambiente. Ao exame físico, não há sinais localizatórios de infecção. Os exames laboratoriais realizados na emergência mostram hemograma com leucócitos totais de 16.000/mm³ (com neutrófilos de 8.500/mm³) e urina tipo I normal. Com base nas diretrizes de manejo da Febre Sem Sinais Localizatórios (FSSL) para essa faixa etária, da Sociedade Brasileira de Pediatria, qual é a conduta mais adequada nesse momento?

Alternativas

  1. A) Realizar radiografia de tórax e iniciar antibioticoterapia empírica, devido à febre elevada em lactente.
  2. B) Coletar hemocultura e urocultura por cateterismo vesical para investigação de Infecção Bacteriana Grave (IBG).
  3. C) Internar a paciente para observação clínica e investigação estendida, considerando a febre sem causa aparente.
  4. D) Orientar os pais sobre os sinais de alerta para piora clínica e alta hospitalar, com reavaliação ambulatorial em 24 - 48 horas.
  5. E) Realizar punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano, dada a idade e a ausência de foco.

Pérola Clínica

Lactente > 3-6 meses + bom estado geral + vacinação completa + exames normais → Observação clínica.

Resumo-Chave

Em lactentes com esquema vacinal completo e bom estado geral, o risco de Infecção Bacteriana Grave (IBG) é baixo. A conduta preconiza observação e reavaliação em 24-48h.

Contexto Educacional

A Febre Sem Sinais Localizatórios (FSSL) é um desafio comum na emergência pediátrica. A abordagem varia conforme a idade: recém-nascidos (<28 dias) exigem investigação completa e internação; lactentes de 1 a 3 meses seguem critérios de baixo risco (como Rochester); e lactentes de 3 a 36 meses são avaliados pelo estado vacinal e aparência clínica. Com a vacinação para Pneumococo e Haemophilus, o foco principal da investigação laboratorial inicial em pacientes de baixo risco costuma ser a exclusão de ITU através do EAS e urocultura, especialmente em meninas e meninos não circuncidados. Se os exames iniciais são negativos e a criança está estável, a conduta expectante com vigilância rigorosa é segura e recomendada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais agentes de Infecção Bacteriana Grave em lactentes vacinados?

Com a introdução das vacinas conjugadas (Pneumocócica e Hib), a incidência de bacteremia oculta caiu drasticamente. Atualmente, a Infecção do Trato Urinário (ITU) é a IBG mais comum em lactentes com FSSL, sendo a E. coli o principal patógeno.

Quando indicar coleta de líquor na febre sem foco?

A punção lombar está indicada em lactentes com sinais de irritabilidade persistente, letargia, abaulamento de fontanela ou outros sinais meníngeos. Em lactentes jovens (< 1 mês), a investigação é sempre completa (sangue, urina e líquor). Entre 1-3 meses, depende dos critérios de triagem.

O que define o 'bom estado geral' na avaliação pediátrica?

O bom estado geral é avaliado pelo Triângulo de Avaliação Pediátrica (aparência, trabalho respiratório e circulação cutânea). Um lactente que interage, mantém contato visual, chora vigorosamente e é consolável, e possui boa perfusão, é considerado de baixo risco clínico.

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