Febre Sem Sinais Localizatórios: Manejo em Pediatria

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

A febre é a queixa mais frequente nos serviços de emergência pediátrica. Em relação ao quadro de febre sem sinais localizatórios (FSSL), assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Considerando‑se o padrão de sensibilidade dos agentes da comunidade e a faixa etária da criança, a maior parte dos pacientes acima de sessenta dias de vida pode ser tratada via oral, em regime ambulatorial, não havendo diferença na efetividade da terapêutica via oral ou parenteral.
  2. B) Na avaliação laboratorial das crianças, o isolamento de vírus exclui a possibilidade de coinfecção bacteriana e evolução para doença bacteriana grave.
  3. C) Todos os pacientes que estão sendo investigados para FSSL devem ser mantidos em regime de internação hospitalar e uso de antibioticoterapia endovenosa até os resultados finais das culturas.
  4. D) A vacinação tem papel importante na prevenção de várias doenças em pediatria. No entanto, na epidemiologia das infecções bacterianas, não houve mudança significativa, mesmo após a introdução de vacinas contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e Streptococcus pneumoniae.
  5. E) A FSSL é uma febre de duração acima de dez dias, em que a anamnese e o exame físico não revelam sua causa, variando essa nomenclatura, na literatura, para pacientes com até 24 ou 36 meses de vida.

Pérola Clínica

FSSL > 60 dias de vida, baixo risco: tratamento ambulatorial com ATB oral pode ser tão eficaz quanto parenteral.

Resumo-Chave

Em crianças acima de 60 dias de vida com febre sem sinais localizatórios (FSSL) e que são estratificadas como de baixo risco para infecção bacteriana grave, o tratamento ambulatorial com antibióticos orais é uma opção segura e eficaz, com resultados comparáveis à via parenteral, desde que haja boa adesão e acompanhamento.

Contexto Educacional

A febre sem sinais localizatórios (FSSL) é uma queixa comum na emergência pediátrica, definida como febre em que a anamnese e o exame físico não revelam uma causa óbvia. A principal preocupação é a exclusão de infecção bacteriana grave (IBG), como meningite, bacteremia, pneumonia ou infecção do trato urinário, especialmente em lactentes jovens. O manejo da FSSL depende da idade da criança e da estratificação de risco. Em neonatos (< 28 dias), a abordagem é agressiva, com internação e antibioticoterapia empírica. Em lactentes de 29 a 60 dias, a estratificação de risco (critérios de Rochester, por exemplo) permite diferenciar aqueles que podem ser observados ou tratados ambulatorialmente. Para crianças acima de 60 dias de vida, se bem-aparentadas e com baixo risco de IBG, o tratamento ambulatorial com antibióticos orais pode ser tão eficaz quanto o parenteral, considerando a sensibilidade dos agentes comunitários e a possibilidade de bom acompanhamento. A vacinação, especialmente contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e Streptococcus pneumoniae, teve um impacto significativo na redução da incidência de IBG, mudando a epidemiologia da FSSL. É crucial que o médico esteja atualizado com os critérios de estratificação de risco e as diretrizes de tratamento para evitar tanto o subtratamento de infecções graves quanto o uso excessivo de antibióticos e internações desnecessárias.

Perguntas Frequentes

Como é feita a estratificação de risco em crianças com Febre Sem Sinais Localizatórios (FSSL)?

A estratificação de risco em FSSL considera a idade da criança (especialmente < 28 dias, 29-60 dias, > 60 dias), o estado geral, e exames laboratoriais como hemograma, PCR, procalcitonina e análise de urina. Critérios como Rochester, Boston e Filadélfia auxiliam nessa avaliação.

Quando a antibioticoterapia oral é apropriada para FSSL em crianças?

A antibioticoterapia oral pode ser apropriada para crianças acima de 60 dias de vida com FSSL que são classificadas como de baixo risco para infecção bacteriana grave, apresentam bom estado geral, não têm sinais de toxicidade e possuem garantia de acompanhamento ambulatorial rigoroso.

Qual o impacto da vacinação na epidemiologia das infecções bacterianas graves em crianças com FSSL?

A introdução de vacinas como a contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e Streptococcus pneumoniae (pneumocócica) reduziu drasticamente a incidência de infecções bacterianas graves, como meningite e bacteremia oculta, alterando significativamente a epidemiologia da FSSL.

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