SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2024
A febre é a queixa mais frequente nos serviços de emergência pediátrica. Em relação ao quadro de febre sem sinais localizatórios (FSSL), assinale a alternativa correta.
FSSL > 60 dias de vida, baixo risco: tratamento ambulatorial com ATB oral pode ser tão eficaz quanto parenteral.
Em crianças acima de 60 dias de vida com febre sem sinais localizatórios (FSSL) e que são estratificadas como de baixo risco para infecção bacteriana grave, o tratamento ambulatorial com antibióticos orais é uma opção segura e eficaz, com resultados comparáveis à via parenteral, desde que haja boa adesão e acompanhamento.
A febre sem sinais localizatórios (FSSL) é uma queixa comum na emergência pediátrica, definida como febre em que a anamnese e o exame físico não revelam uma causa óbvia. A principal preocupação é a exclusão de infecção bacteriana grave (IBG), como meningite, bacteremia, pneumonia ou infecção do trato urinário, especialmente em lactentes jovens. O manejo da FSSL depende da idade da criança e da estratificação de risco. Em neonatos (< 28 dias), a abordagem é agressiva, com internação e antibioticoterapia empírica. Em lactentes de 29 a 60 dias, a estratificação de risco (critérios de Rochester, por exemplo) permite diferenciar aqueles que podem ser observados ou tratados ambulatorialmente. Para crianças acima de 60 dias de vida, se bem-aparentadas e com baixo risco de IBG, o tratamento ambulatorial com antibióticos orais pode ser tão eficaz quanto o parenteral, considerando a sensibilidade dos agentes comunitários e a possibilidade de bom acompanhamento. A vacinação, especialmente contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e Streptococcus pneumoniae, teve um impacto significativo na redução da incidência de IBG, mudando a epidemiologia da FSSL. É crucial que o médico esteja atualizado com os critérios de estratificação de risco e as diretrizes de tratamento para evitar tanto o subtratamento de infecções graves quanto o uso excessivo de antibióticos e internações desnecessárias.
A estratificação de risco em FSSL considera a idade da criança (especialmente < 28 dias, 29-60 dias, > 60 dias), o estado geral, e exames laboratoriais como hemograma, PCR, procalcitonina e análise de urina. Critérios como Rochester, Boston e Filadélfia auxiliam nessa avaliação.
A antibioticoterapia oral pode ser apropriada para crianças acima de 60 dias de vida com FSSL que são classificadas como de baixo risco para infecção bacteriana grave, apresentam bom estado geral, não têm sinais de toxicidade e possuem garantia de acompanhamento ambulatorial rigoroso.
A introdução de vacinas como a contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e Streptococcus pneumoniae (pneumocócica) reduziu drasticamente a incidência de infecções bacterianas graves, como meningite e bacteremia oculta, alterando significativamente a epidemiologia da FSSL.
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