Febre Sem Sinais Localizatórios em Lactentes: Investigação

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022

Enunciado

Lactente de 18 meses de idade, previamente hígido, com vacinas em dia, é levado ao pronto atendimento pela segunda vez por apresentar febre de 39oC há 4 dias associada à hiporexia, sem outras alterações. Ao exame físico, bom estado geral, ausência de linfonodos palpáveis, auscultas pulmonares e cardíacas e exame do abdômen sem alterações. Nesse contexto, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Trata-se de febre de origem obscura, devendo ser solicitadas sorologias virais, radiografia de tórax e exame simples de urina com urocultura.
  2. B) Trata-se de febre de origem obscura, devendo ser indicada a internação hospitalar para a investigação de doenças infecciosas e neoplásicas.
  3. C) Deve ser iniciado antimicrobiano empírico devido à persistência da febre além de 72 horas, o que fala a favor de doença bacteriana.
  4. D) O caso é definido como febre sem sinais localizatórios e deve ser solicitado exame de urina tipo 1 e urocultura.
  5. E) O caso é de febre sem sinais localizatórios e devem ser realizados hemograma, urina tipo 1, urocultura, PCR e hemocultura.

Pérola Clínica

Lactente com febre sem sinais localizatórios → Investigar infecção urinária (urocultura + urina tipo 1) como causa mais comum.

Resumo-Chave

Em lactentes e crianças pequenas com febre sem sinais localizatórios, a infecção do trato urinário (ITU) é uma das causas bacterianas mais comuns e potencialmente graves. Portanto, a investigação inicial deve incluir exame de urina tipo 1 e urocultura para um diagnóstico preciso.

Contexto Educacional

A febre sem sinais localizatórios em lactentes e crianças pequenas é um desafio diagnóstico comum na prática pediátrica. É definida como febre em uma criança sem achados no exame físico que expliquem a elevação da temperatura. Nesses casos, a principal preocupação é descartar uma infecção bacteriana grave oculta (IBGO), sendo a infecção do trato urinário (ITU) a mais prevalente. A investigação inicial deve ser direcionada para as causas mais comuns e potencialmente graves. Em lactentes, a ITU é uma causa frequente de febre sem outros sintomas aparentes. Portanto, a coleta de urina para exame tipo 1 e urocultura é fundamental. A coleta deve ser feita preferencialmente por cateterismo vesical ou punção suprapúbica para evitar contaminação, especialmente em crianças que ainda não controlam a micção. Outras investigações, como hemograma, PCR e hemocultura, podem ser consideradas dependendo da idade da criança, do grau de toxicidade e da persistência da febre. No entanto, a urina tipo 1 e a urocultura são os exames mais prioritários na ausência de outros sinais. A febre de origem obscura (FOO) é um diagnóstico de exclusão para febre prolongada (geralmente > 8 dias) sem causa identificada após investigação inicial, o que difere do cenário apresentado.

Perguntas Frequentes

Qual a principal preocupação em lactentes com febre sem sinais localizatórios?

A principal preocupação é a presença de uma infecção bacteriana grave oculta, sendo a infecção do trato urinário (ITU) a mais comum. Outras incluem bacteremia e pneumonia.

Por que a infecção urinária é tão importante de ser investigada em lactentes febris?

A ITU em lactentes pode levar a danos renais permanentes se não for diagnosticada e tratada precocemente, além de ser uma causa frequente de febre sem foco aparente.

Quando a febre em lactentes é considerada de origem obscura (FOO)?

A febre de origem obscura (FOO) é definida como febre persistente por mais de 8 dias sem causa identificada após uma investigação inicial completa, o que não se aplica ao caso descrito de 4 dias de febre.

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