FAA/UNIFAA - Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi (RJ) — Prova 2015
Lactente,18 meses, chega ao PSI, com quadro de febre ( 40 ᵒ C) há 24 horas sem qualquer queixa associada. Ao exame físico: ativo, reativo, corado, hidratado , acianotico, afebril. Nuca livre, sem sinais de irritação meningea, pulmões limpos. RCR2T, sem sopros. Abdome sem massas ou megalias, sem edema de membros inferiores. Leucograma: 10.000 ( 0/2/0-0-2-26/66/4). PCR negativo. Com base no diagnóstico de febre sem sinais de localização abaixo, marque o critério que mais estaria relacionado a hipótese de bacteremia oculta neste caso:
Lactente com FSL: Febre ≥ 39°C é principal fator de risco para bacteremia oculta.
Em lactentes com febre sem sinais de localização, a presença de febre muito alta (≥ 39°C ou 40°C, dependendo do critério) é um dos fatores de risco mais significativos para bacteremia oculta, mesmo com bom estado geral e exames laboratoriais iniciais normais.
A febre sem sinais de localização (FSL) em lactentes é uma condição comum e desafiadora na prática pediátrica, pois pode variar de uma infecção viral benigna a uma infecção bacteriana grave, como a bacteremia oculta. A avaliação desses pacientes exige uma abordagem cuidadosa para identificar aqueles com maior risco de infecção bacteriana grave (IBG), mesmo na ausência de sinais focais. Vários critérios foram desenvolvidos para estratificar o risco de IBG em lactentes com FSL, como os critérios de Rochester, Boston e Filadélfia. Embora o estado geral da criança seja um indicador importante, a magnitude da febre é um dos fatores de risco mais consistentes e independentes para bacteremia oculta. Temperaturas acima de 39°C ou 40°C, como no caso descrito, aumentam significativamente a probabilidade de uma infecção bacteriana, mesmo que outros parâmetros como leucograma e PCR estejam inicialmente normais. Para residentes em pediatria, é crucial reconhecer que um lactente com febre alta e FSL, mesmo com bom aspecto geral, requer uma investigação mais aprofundada e, muitas vezes, manejo empírico com antibióticos até a exclusão de IBG. A idade também é um fator relevante, com crianças mais jovens (< 3 meses) apresentando maior risco. A vigilância e a reavaliação contínua são essenciais para garantir o melhor desfecho para esses pacientes.
FSL é a febre em crianças menores de 36 meses sem uma causa óbvia identificada após anamnese e exame físico completos, sendo um desafio diagnóstico devido ao risco de infecções bacterianas graves.
Outros fatores incluem idade (especialmente < 3 meses), leucocitose ou leucopenia, PCR ou procalcitonina elevados, e sinais de toxicidade ou irritabilidade, conforme os critérios de risco.
Os principais agentes são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae tipo b (em não vacinados) e Neisseria meningitidis. Infecções urinárias também são causas comuns de febre sem foco.
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