Febre sem Foco em Lactentes: Quando se Preocupar?

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 10 meses de idade, previamente hígido, é levado ao pronto atendimento com história de febre de até 39 °C há dois dias. Responsável refere que não está aceitando nenhum alimento sólido desde o início do quadro febril, apenas seio materno. Apresenta cerca de 4 diureses por dia. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, mantendo mucosas úmidas, sem alterações cardíaca, pulmonar e abdominal; otoscopia e oroscopia conforme imagens a seguir:Considerando as informações, pode-se afirmar que a conduta indicada para esse paciente é:

Alternativas

  1. A) Administrar dose única de penicilina benzatina intramuscular.
  2. B) Dar alta com analgésico simples e orientar sinais de alerta.
  3. C) Internar com prescrição de soro de manutenção basal e coletar urina.
  4. D) Internar com amoxicilina com clavulanato endovenoso até aceitação oral.

Pérola Clínica

Lactente hígido + Bom estado geral + Febre sem foco → Analgesia + Observação + Sinais de alerta.

Resumo-Chave

Em lactentes com bom estado geral e febre de curta duração sem foco evidente ao exame físico, a conduta expectante com orientações é segura e evita exames desnecessários.

Contexto Educacional

O manejo do lactente febril é uma das situações mais frequentes na emergência pediátrica. A abordagem varia conforme a idade e o estado clínico. Para lactentes entre 3 e 36 meses que se apresentam em bom estado geral (vivos, alertas e bem perfundidos), a conduta costuma ser conservadora. A principal preocupação bacteriana nessa faixa etária é a Infecção do Trato Urinário (ITU), porém, em meninos circuncidados ou meninas sem fatores de risco e com quadro clínico muito inicial, a observação clínica com reavaliação em 24-48 horas é uma estratégia aceitável e recomendada para evitar sobrecarga diagnóstica.

Perguntas Frequentes

O que define a Febre sem Sinais de Localização (FSL)?

A FSL é definida como uma doença febril aguda na qual a causa da febre não é identificada após uma anamnese cuidadosa e um exame físico detalhado. É comum em crianças menores de 3 anos. A maioria dos casos tem etiologia viral autolimitada, mas uma pequena porcentagem pode esconder infecções bacterianas graves (IBG), como infecção do trato urinário, bacteremia oculta ou meningite.

Como avaliar o 'bom estado geral' em um lactente febril?

A avaliação baseia-se no Triângulo de Avaliação Pediátrica (TAP) e em escalas como a de Yale. Observa-se a aparência (interatividade, consolabilidade, olhar fixo), o esforço respiratório e a circulação cutânea. Um lactente que sorri, brinca, mantém bom tônus e tem mucosas úmidas, mesmo com febre, é classificado como em bom estado geral, o que reduz significativamente a probabilidade de uma IBG.

Quais orientações de alta devem ser dadas aos pais?

Os pais devem ser orientados a retornar imediatamente se a criança apresentar: alteração do nível de consciência (irritabilidade excessiva ou sonolência difícil de despertar), recusa alimentar persistente com sinais de desidratação (menos de 3-4 fraldas molhadas/dia), surgimento de manchas vermelhas na pele (petéquias), dificuldade para respirar ou se a febre persistir por mais de 72 horas sem melhora clínica.

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