PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2020
Menino, 30 meses de idade, é levado à UPA com febre há 72 horas. Sua mãe refere que a temperatura tem ultrapassado os 39ºC que o menor não tem aceito alimentos, vem apresentando irritabilidade e diminuiu as eliminações (atribuindo à reduzida ingestão). No momento, a temperatura é 39,6ºC. Não foram observadas alterações ao exame físico segmentar. Considerando os aspectos do caso relatado, indique o parâmetro de maior confiabilidade no leucograma dessa criança para a suspeita diagnóstica de causa bacteriana.
Febre sem foco em lactentes + Leucocitose > 15.000 → ↑ Risco de Infecção Bacteriana Oculta.
Em crianças com febre sem sinais localizatórios, a contagem global de leucócitos acima de 15.000/mm³ é um preditor clássico de bacteremia oculta.
A abordagem da febre sem sinais de localização (FSL) em pediatria exige uma estratificação de risco baseada na idade, estado vacinal e aparência clínica. Em lactentes e crianças pequenas, a ausência de um foco óbvio ao exame físico não exclui infecções graves. O leucograma atua como uma ferramenta de triagem: a leucocitose global (>15.000/mm³) e a contagem absoluta de neutrófilos (>10.000/mm³) são marcadores com valor preditivo positivo para infecções bacterianas. Com a mudança do perfil epidemiológico pós-vacinal, a Infecção do Trato Urinário (ITU) tornou-se a principal causa bacteriana de FSL, tornando a urinálise obrigatória nesse contexto.
Febre sem sinais de localização (FSL) é definida como uma temperatura axilar ≥ 37,5°C ou retal ≥ 38°C em uma criança cuja história clínica e exame físico inicial minucioso não revelam a fonte da infecção. É um desafio comum na pediatria de emergência, especialmente em crianças entre 3 e 36 meses. A principal preocupação é a Infecção Bacteriana Grave (IBG), que inclui infecção do trato urinário, bacteremia oculta, pneumonia e meningite.
Historicamente, estudos demonstraram que crianças com febre alta (>39°C) e leucocitose superior a 15.000/mm³ apresentam um risco significativamente maior de bacteremia oculta, principalmente por Streptococcus pneumoniae. Embora a introdução das vacinas conjugadas tenha reduzido a incidência de bacteremia oculta, esse parâmetro laboratorial ainda é utilizado em protocolos de triagem para decidir a necessidade de exames adicionais.
Além do hemograma, a avaliação básica geralmente inclui o exame de urina (EAS e urocultura), que é a fonte mais comum de infecção bacteriana em meninas e meninos não circuncidados. Dependendo da idade e do estado clínico, podem ser solicitados hemocultura, proteína C reativa (PCR), procalcitonina (mais sensível para IBG), radiografia de tórax e líquor (se houver sinais meníngeos).
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