SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022
Rinaldo, 4 anos, é trazido pela mãe, com febre de até 40 graus, há cerca de 2 dias. Nega quaisquer outras queixas. Quando a febre abaixa, mantém bom estado geral e inclusive boa ingesta alimentar. Tem sido medicado com paracetamol, que faz cessar a febre por cerca de 6 a 8 horas. Última dose há cerca de 3 horas. Rinaldo tem esquema vacinal completo para sua idade. Ao exame: FR=34 mrm, FC=112 bpm, Taxilar=37,2ºC, bom estado geral, hidratado, corado, eupneico. Auscultas cardíaca e pulmonar normais. Sem rigidez de nuca. Oroscopia e otoscopia normais. Abdome depressível, indolor e sem visceromegalias. Dado o quadro clínico, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada:
Criança > 3 meses, febre sem foco, bom estado geral, vacinação completa → observação e antitérmico.
Em crianças maiores de 3 meses, com febre sem sinais localizatórios, bom estado geral quando afebril e esquema vacinal completo, a conduta inicial é de observação e manejo sintomático da febre com antitérmicos. A ausência de sinais de alerta e a boa resposta ao antitérmico sugerem um quadro viral autolimitado.
A febre sem foco (FSF) em crianças é uma queixa comum na prática pediátrica, definida como febre na ausência de um foco infeccioso evidente após uma história e exame físico detalhados. A abordagem da FSF varia significativamente com a idade da criança e seu estado geral. Em lactentes jovens (< 3 meses), a FSF é sempre motivo de preocupação devido ao maior risco de infecção bacteriana grave oculta, exigindo investigação mais agressiva. Para crianças maiores de 3 meses, como Rinaldo no caso, a avaliação se baseia no estado geral da criança e na presença de sinais de alerta. Se a criança está em bom estado geral quando afebril, com boa ingesta, sem sinais de toxicidade e com esquema vacinal completo, a probabilidade de uma infecção bacteriana grave é baixa. Nesses casos, a maioria das febres é de origem viral e autolimitada. A conduta mais adequada para crianças febris com bom estado general e sem sinais de alerta é o manejo sintomático com antitérmicos (paracetamol ou ibuprofeno) e observação. Os pais devem ser orientados sobre os sinais de piora do quadro clínico que justificariam uma reavaliação médica imediata. Exames complementares ou antibióticos empíricos são reservados para casos com sinais de alerta, mau estado geral ou em faixas etárias de maior risco.
Sinais de alerta incluem letargia, irritabilidade persistente, dificuldade respiratória, cianose, convulsões, erupções cutâneas petequiais, fontanela abaulada (em lactentes), recusa alimentar importante, desidratação e alteração do estado de consciência.
Antibióticos empíricos são indicados em crianças febris com sinais de infecção bacteriana grave, como sepse, meningite, pneumonia grave, ou em lactentes jovens (< 3 meses) com febre sem foco, devido ao maior risco de infecção bacteriana oculta.
Um esquema vacinal completo reduz significativamente o risco de infecções bacterianas graves, como as causadas por Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae tipo b, que eram causas comuns de febre sem foco em crianças não vacinadas.
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