Febre Sem Foco em Crianças: Manejo na Atenção Primária

SMS Lucas do Rio Verde - Secretaria Municipal de Saúde (MT) — Prova 2020

Enunciado

Criança de 3 anos de idade, previamente hígida, é trazida até a UBS por sua mãe, que fora chamada para buscar seu filho na creche, devido ele estar com um quadro febril, sem outras queixas. Está se alimentando normalmente. Ao exame físico está ativo e reativo, com temperatura axilar de 38,3ºC. No momento não apresentando alterações que justifiquem o quadro febril. Qual a melhor conduta neste caso?

Alternativas

  1. A) Solicitar hemograma e EAS (exame de urina em caráter de urgência;
  2. B) Iniciar antibioticoterapia empírica e reavaliar em 24 horas;
  3. C) Orientar uso de antipirético, tranquilizar a mãe sobre a provável etiologia benigna do quadro e agendar retorno em 24-48h para reavaliação;
  4. D) Orientar a mãe que casos assim devem ser atendidos diretamente na UPA e após ofertar antipirético na UBS, encaminhar a mãe e o paciente para investigar o caso na UPA.

Pérola Clínica

Criança >3 meses com febre sem foco e bom estado geral → antipirético e reavaliação.

Resumo-Chave

Em crianças maiores de 3 meses com febre sem foco, bom estado geral e sem sinais de gravidade, a conduta inicial é sintomática com antipiréticos e observação, com reavaliação em 24-48 horas, evitando exames e antibióticos desnecessários.

Contexto Educacional

A febre sem foco em crianças é uma queixa comum na atenção primária, definida como a elevação da temperatura corporal sem uma causa aparente após uma avaliação clínica inicial. A abordagem difere significativamente com a idade da criança. Em crianças maiores de 3 meses, como no caso apresentado, e que se apresentam em bom estado geral, ativas e reativas, a maioria dos quadros febris é de etiologia viral e autolimitada. O manejo inicial de uma criança de 3 anos com febre sem foco e bom estado geral na UBS deve ser conservador. A prioridade é o alívio sintomático da febre com antipiréticos, como paracetamol ou ibuprofeno, e a tranquilização dos pais. É fundamental orientar sobre os sinais de alerta que indicariam a necessidade de retorno imediato e agendar uma reavaliação em 24-48 horas para monitorar a evolução do quadro. A solicitação de exames laboratoriais ou o início de antibioticoterapia empírica não são recomendados de rotina nesses casos, pois podem levar a custos desnecessários, ansiedade parental, e contribuir para a resistência antimicrobiana. A avaliação cuidadosa do estado geral da criança e a capacidade de reavaliar o paciente são os pilares da conduta, permitindo identificar precocemente casos que evoluam para uma condição mais grave.

Perguntas Frequentes

Quando a febre sem foco em crianças requer investigação mais aprofundada?

A febre sem foco requer investigação mais aprofundada em crianças menores de 3 meses, na presença de sinais de toxicidade, letargia, irritabilidade persistente, ou se a febre persistir por mais de 48-72 horas sem causa aparente.

Qual a importância da reavaliação em casos de febre sem foco?

A reavaliação é crucial para identificar o surgimento de novos sintomas, a piora do estado geral ou a persistência da febre, que podem indicar uma doença mais grave ou a necessidade de exames complementares.

Quais são os sinais de alerta em crianças febris que indicam necessidade de atendimento de urgência?

Sinais de alerta incluem prostração, dificuldade respiratória, manchas na pele, choro inconsolável, convulsões, rigidez de nuca, fontanela abaulada (em lactentes) e recusa alimentar significativa.

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