Febre Sem Foco em Crianças: Manejo e Antitérmicos

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024

Enunciado

Criança de 30 meses vem à consulta da Unidade Básica de Saúde (UBS) por febre, cerca de 37,8-38,2°C de temperatura axilar há 4 dias, com sinais de prostração apenas durante os picos, os quais ocorrem cerca de 2 vezes ao dia, sem outros sinais ou sintomas observados pela mãe. Previamente hígida, imunitários do Programa Nacional de Imunizações atualizados, ao exame físico minucioso não apresenta foco topográfico sugestivo de infecção. A conduta nessa situação, considerando a faixa etária da criança, é:

Alternativas

  1. A) Solicitar painel viral respiratório, sem necessidade de urocultura por método confiável em função da faixa etária.
  2. B) Investigar causas não infecciosas de febre de origem indefinida, já que o exame físico minucioso não revelou foco infeccioso.
  3. C) Administrar antitérmicos que atuarão na inibição de prostaglandina (PGE-2) para a redução da febre, orientando retorno se sinais de gravidade.
  4. D) Solicitar hemocultura já que o quadro clínico é fortemente sugestivo de bacteremia oculta.

Pérola Clínica

Criança > 3 meses com febre sem foco e bom estado geral → antitérmicos e observação, orientar sinais de alerta.

Resumo-Chave

Em crianças maiores de 3 meses com febre sem foco aparente e bom estado geral, a conduta inicial é sintomática com antitérmicos, acompanhamento e orientação aos pais sobre sinais de alerta, evitando investigações invasivas desnecessárias.

Contexto Educacional

A febre sem foco (FSF) em crianças é uma queixa comum na atenção primária e emergência pediátrica. Define-se como febre em que, após anamnese e exame físico detalhados, não se identifica a causa. A abordagem difere significativamente conforme a faixa etária, sendo mais agressiva em lactentes jovens (< 3 meses) devido ao maior risco de infecção bacteriana grave. Para crianças maiores de 3 meses, como no caso da questão (30 meses), com bom estado geral e sem sinais de toxicidade, a maioria dos casos de FSF é de etiologia viral e autolimitada. Nesses casos, a conduta principal é o manejo sintomático da febre com antitérmicos, como paracetamol ou ibuprofeno, que atuam inibindo a síntese de prostaglandina E2 (PGE-2) no centro termorregulador hipotalâmico. É crucial orientar os pais sobre os sinais de alerta que indicam a necessidade de retorno imediato ao serviço de saúde, como prostração, dificuldade respiratória, alterações de consciência ou piora do estado geral. A investigação com exames laboratoriais (hemocultura, urocultura) é reservada para crianças com sinais de gravidade ou naquelas em que a febre persiste por mais tempo sem melhora, ou em faixas etárias de maior risco.

Perguntas Frequentes

Quando a febre sem foco em crianças requer investigação mais agressiva?

Crianças menores de 3 meses, ou crianças de qualquer idade com sinais de toxicidade, letargia, irritabilidade persistente, desidratação ou outros sinais de gravidade, necessitam de investigação mais agressiva.

Quais antitérmicos são recomendados para crianças e como agem?

Paracetamol e ibuprofeno são os antitérmicos mais usados. Ambos atuam inibindo a síntese de prostaglandinas (especialmente PGE-2) no hipotálamo, que são mediadores da febre.

Quais sinais de alerta os pais devem observar em uma criança febril?

Sinais de alerta incluem prostração intensa, dificuldade para respirar, manchas na pele, vômitos persistentes, convulsões, choro inconsolável, recusa alimentar e piora do estado geral.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo