FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023
Lactente do sexo masculino, 9 meses de idade, vai ao pronto atendimento por apresentar febre há 72 horas, com temperatura máxima 38,5º C e picos febris a cada 6 horas, apresenta ainda irritabilidade associada a períodos de choro. Mãe nega outros sintomas. História pregressa, nascido a termo, gestação sem intercorrências, crescimento e desenvolvimento adequados, primeiro atendimento em serviço de urgência. Exame físico completo sem alterações. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa que apresenta qual a conduta a ser tomada neste momento.
Lactente < 12m com febre sem foco → Rastreio urinário (urina rotina + urocultura) é mandatório.
Em lactentes menores de 12 meses com febre sem foco aparente, a infecção do trato urinário (ITU) é uma das causas mais comuns de infecção bacteriana grave oculta. Portanto, a investigação urinária com urina rotina e urocultura é mandatória para o diagnóstico e manejo adequados, mesmo na ausência de outros sintomas urinários.
A febre sem foco em lactentes, especialmente naqueles com menos de 12 meses, representa um desafio diagnóstico significativo na pediatria. A principal preocupação é a exclusão de infecções bacterianas graves ocultas, sendo a infecção do trato urinário (ITU) a mais comum. A importância clínica reside no fato de que ITUs não tratadas podem levar a pielonefrite, cicatrizes renais e, em casos graves, insuficiência renal crônica. A epidemiologia mostra que a ITU é mais prevalente em meninas, mas meninos não circuncidados também apresentam risco elevado. A fisiopatologia da ITU em lactentes geralmente envolve a ascensão de bactérias da região perineal para o trato urinário. Os sintomas são frequentemente inespecíficos, como febre, irritabilidade, choro excessivo e recusa alimentar, o que dificulta o diagnóstico clínico. Portanto, a investigação laboratorial é crucial. A conduta recomendada para lactentes febris sem foco é a realização de rastreio urinário, que inclui urina rotina (para verificar leucocitúria, nitrito e esterase leucocitária) e, principalmente, urocultura. A urocultura é o exame confirmatório e deve ser coletada de forma a minimizar a contaminação, preferencialmente por cateterismo vesical ou punção suprapúbica. Uma vez diagnosticada a ITU, o tratamento com antibióticos apropriados deve ser iniciado prontamente. A escolha do antibiótico e a via de administração (oral ou intravenosa) dependem da gravidade do quadro e da idade do lactente. O acompanhamento pós-tratamento, incluindo exames de imagem do trato urinário (ultrassonografia renal e vesical, uretrocistografia miccional), é essencial para identificar anomalias anatômicas que possam predispor a ITUs recorrentes. Residentes devem estar cientes da necessidade de uma abordagem proativa e investigativa para evitar complicações a longo prazo.
Deve-se suspeitar de infecção urinária em todo lactente menor de 12 meses com febre sem foco aparente, mesmo na ausência de sintomas urinários específicos. A irritabilidade e o choro podem ser os únicos sinais.
A urocultura é o padrão-ouro para o diagnóstico de infecção do trato urinário em lactentes. A urina rotina pode sugerir a infecção, mas a urocultura confirma o diagnóstico, identifica o agente etiológico e permite testar a sensibilidade aos antibióticos, guiando o tratamento.
A coleta de urina para urocultura em lactentes deve ser feita preferencialmente por cateterismo vesical ou punção suprapúbica para evitar contaminação. Sacos coletores podem ser usados para triagem, mas um resultado positivo deve ser confirmado por método invasivo.
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