HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023
Lactente de 4 meses, feminino previamente hígida com calendário vacinal completo, apresenta febre medida até 39,1oC há 1 dia. A mãe relata discreta anorexia e queda do estado geral. Nega tosse e coriza. Exame físico sem alterações. Assinale a alternativa correta em relação à conduta para esse caso.
Lactente < 6 meses com febre sem foco → sempre investigar ITU com urocultura por sondagem/punção.
Em lactentes jovens, especialmente menores de 6 meses, a infecção do trato urinário (ITU) é uma causa comum de febre sem foco aparente e pode levar a sepse se não tratada. A coleta de urina por métodos invasivos (sondagem ou punção suprapúbica) é crucial para evitar contaminação e garantir um diagnóstico preciso.
A febre sem foco em lactentes, especialmente nos primeiros meses de vida, representa um desafio diagnóstico significativo e uma preocupação para pais e médicos. Define-se como febre na ausência de uma fonte óbvia de infecção após um exame físico completo. A epidemiologia mostra que infecções bacterianas graves (IBG), como infecção do trato urinário (ITU), bacteremia e meningite, são mais comuns nessa faixa etária, tornando a avaliação e conduta rápidas cruciais para prevenir morbidade e mortalidade. A fisiopatologia da febre em lactentes é complexa, com o sistema imunológico imaturo tornando-os mais suscetíveis a infecções e com menor capacidade de localizar a infecção. O diagnóstico de ITU em lactentes exige alta suspeição, pois os sintomas são inespecíficos. A urocultura é o padrão-ouro, e a coleta da amostra deve ser feita por métodos que minimizem a contaminação, como sondagem vesical ou punção suprapúbica, para garantir a acurácia do resultado. O tratamento e prognóstico dependem do diagnóstico precoce. Se uma ITU for confirmada, o tratamento com antibióticos apropriados é iniciado. Em casos de alto risco ou suspeita de IBG, a internação e antibioticoterapia empírica intravenosa podem ser necessárias até a exclusão de infecção grave. A vigilância contínua e a reavaliação clínica são fundamentais para garantir a recuperação completa e evitar complicações a longo prazo.
Os principais riscos incluem infecções bacterianas graves ocultas, como infecção do trato urinário (ITU), bacteremia e meningite, que podem progredir rapidamente e causar sequelas graves se não diagnosticadas e tratadas precocemente.
Esses métodos são preferíveis para obter uma amostra de urina estéril, minimizando a contaminação por bactérias da pele e genitália externa, o que é comum com o saco coletor e pode levar a resultados falso-positivos e tratamentos desnecessários.
A internação e antibioticoterapia empírica são consideradas para lactentes jovens (geralmente < 2-3 meses) com febre sem foco, ou para qualquer lactente com sinais de toxicidade, instabilidade hemodinâmica ou alto risco de infecção bacteriana invasiva, enquanto se aguardam os resultados das culturas.
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