UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022
Um lactente, de 3 meses e 15 dias de vida, nascido a temo, sem patologias prévias conhecidas, adequado acompanhamento de puericultura sem intercorrências, iniciou quadro febril há 2 dias, chegando à temperatura de 40ºC, sem qualquer outro sintoma associado. A família procurou pronto-atendimento para avaliação. Ao exame físico, criança em bom estado geral, ativa, reativa, ausculta respiratória e cardíaca normais. Em relação a essa situação clínica, analise as assertivas.I- A avaliação do calendário vacinal da criança irá auxiliar na definição da conduta propedêutica. Se a vacinação estiver completa para a idade, não é necessário considerar painel viral para pesquisa de vírus respiratório. II- Para as crianças menores de 30 dias, deve-se, sempre, indicar internação hospitalar, mesmo que estejam em bom estado geral.III- Para a criança com quadro febril, sem foco aparente na avaliação clínica, deve-se considerar a realização de avaliação de sedimento urinário e urocultura.IV- Para a criança com quadro febril, sem foco aparente na avaliação clínica, é mandatória a realização de hemograma, dosagem de proteína C reativa, urina tipo I, urocultura e radiografia de tórax.Estão corretas as assertivas
Febre em neonato (<30 dias) → sempre internação; Febre sem foco em lactente → ITU comum, investigar com urocultura.
A febre sem foco em lactentes exige uma abordagem cuidadosa devido ao risco de infecções bacterianas graves. Neonatos (<30 dias) com febre devem ser sempre internados para investigação completa. Em lactentes maiores, a ITU é uma causa comum e deve ser ativamente pesquisada com urocultura.
A febre sem foco aparente em lactentes é uma condição clínica comum e desafiadora, exigindo uma avaliação criteriosa devido ao risco de infecções bacterianas graves (IBG). A idade do paciente é um fator determinante na estratificação de risco e na definição da conduta propedêutica e terapêutica. Em neonatos (crianças menores de 30 dias), a febre é sempre considerada um sinal de alerta máximo. Devido à imaturidade do sistema imunológico e à apresentação atípica das infecções, qualquer neonato febril, mesmo com bom estado geral, deve ser internado para investigação completa de sepse, incluindo hemocultura, urocultura e punção lombar, e iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro. Em lactentes mais velhos (30 dias a 3 meses), a abordagem é mais estratificada, mas a investigação de infecção do trato urinário (ITU) com sedimento urinário e urocultura é fundamental, pois é uma das causas mais frequentes de febre sem foco. A avaliação do calendário vacinal pode auxiliar, mas não exclui a necessidade de investigação de infecções virais ou bacterianas. A decisão de realizar outros exames, como hemograma, PCR ou radiografia de tórax, depende da idade exata, do estado geral da criança e da presença de outros sinais de alerta.
Um neonato com febre deve ser sempre internado para investigação completa de sepse, mesmo que apresente bom estado geral, devido ao alto risco de infecção bacteriana grave.
A ITU é uma das causas mais comuns de febre sem foco em lactentes e pode levar a danos renais se não for diagnosticada e tratada precocemente. A urocultura é o padrão-ouro para o diagnóstico.
Além da urocultura, a investigação pode incluir hemograma, proteína C reativa (PCR), procalcitonina, e, dependendo da idade e fatores de risco, punção lombar e radiografia de tórax.
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